13 fevereiro 2013

MENSAGEM DE SUA SANTIDADE BENTO XVI PARA A QUARESMA DE 2013

Crer na caridade suscita caridade  
«Nós conhecemos o amor que Deus nos tem, pois cremos nele» (
1 Jo 4, 16)  
Queridos irmãos e irmãs!
A celebração da Quaresma, no contexto do Ano da fé, proporciona-nos uma preciosa ocasião para meditar sobre a relação entre fé e caridade: entre o crer em Deus, no Deus de Jesus Cristo, e o amor, que é fruto da acção do Espírito Santo e nos guia por um caminho de dedicação a Deus e aos outros.
1. A fé como resposta ao amor de Deus
Na minha primeira Encíclica, deixei já alguns elementos que permitem individuar a estreita ligação entre estas duas virtudes teologais: a fé e a caridade. Partindo duma afirmação fundamental do apóstolo João: «Nós conhecemos o amor que Deus nos tem, pois cremos nele» (1 Jo 4, 16), recordava que, «no início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo. (...) Dado que Deus foi o primeiro a amar-nos (cf. 1 Jo 4, 10), agora o amor já não é apenas um “mandamento”, mas é a resposta ao dom do amor com que Deus vem ao nosso encontro» (Deus caritas est, 1). A fé constitui aquela adesão pessoal - que engloba todas as nossas faculdades - à revelação do amor gratuito e «apaixonado» que Deus tem por nós e que se manifesta plenamente em Jesus Cristo. O encontro com Deus Amor envolve não só o coração, mas também o intelecto: «O reconhecimento do Deus vivo é um caminho para o amor, e o sim da nossa vontade à d’Ele une intelecto, vontade e sentimento no acto globalizante do amor. Mas isto é um processo que permanece continuamente a caminho: o amor nunca está "concluído" e completado» (ibid., 17). Daqui deriva, para todos os cristãos e em particular para os «agentes da caridade», a necessidade da fé, daquele «encontro com Deus em Cristo que suscite neles o amor e abra o seu íntimo ao outro, de tal modo que, para eles, o amor do próximo já não seja um mandamento por assim dizer imposto de fora, mas uma consequência resultante da sua fé que se torna operativa pelo amor» (ibid., 31). O cristão é uma pessoa conquistada pelo amor de Cristo e, movido por este amor - «caritas Christi urget nos» (2 Cor 5, 14) - , está aberto de modo profundo e concreto ao amor do próximo (cf. ibid., 33). Esta atitude nasce, antes de tudo, da consciência de ser amados, perdoados e mesmo servidos pelo Senhor, que Se inclina para lavar os pés dos Apóstolos e Se oferece a Si mesmo na cruz para atrair a humanidade ao amor de Deus.
«A fé mostra-nos o Deus que entregou o seu Filho por nós e assim gera em nós a certeza vitoriosa de que isto é mesmo verdade: Deus é amor! (...) A fé, que toma consciência do amor de Deus revelado no coração trespassado de Jesus na cruz, suscita por sua vez o amor. Aquele amor divino é a luz – fundamentalmente, a única - que ilumina incessantemente um mundo às escuras e nos dá a coragem de viver e agir» (ibid., 39). Tudo isto nos faz compreender como o procedimento principal que distingue os cristãos é precisamente «o amor fundado sobre a fé e por ela plasmado» (ibid., 7).
2. A caridade como vida na fé
Toda a vida cristã consiste em responder ao amor de Deus. A primeira resposta é precisamente a fé como acolhimento, cheio de admiração e gratidão, de uma iniciativa divina inaudita que nos precede e solicita; e o «sim» da fé assinala o início de uma luminosa história de amizade com o Senhor, que enche e dá sentido pleno a toda a nossa vida. Mas Deus não se contenta com o nosso acolhimento do seu amor gratuito; não Se limita a amar-nos, mas quer atrair-nos a Si, transformar-nos de modo tão profundo que nos leve a dizer, como São Paulo: Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim (cf. Gl 2, 20).
Quando damos espaço ao amor de Deus, tornamo-nos semelhantes a Ele, participantes da sua própria caridade. Abrirmo-nos ao seu amor significa deixar que Ele viva em nós e nos leve a amar com Ele, n'Ele e como Ele; só então a nossa fé se torna verdadeiramente uma «fé que actua pelo amor» (Gl 5, 6) e Ele vem habitar em nós (cf. 1 Jo 4, 12).
A fé é conhecer a verdade e aderir a ela (cf. 1 Tm 2, 4); a caridade é «caminhar» na verdade (cf. Ef 4, 15). Pela fé, entra-se na amizade com o Senhor; pela caridade, vive-se e cultiva-se esta amizade (cf. Jo 15, 14-15). A fé faz-nos acolher o mandamento do nosso Mestre e Senhor; a caridade dá-nos a felicidade de pô-lo em prática (cf. Jo 13, 13-17). Na fé, somos gerados como filhos de Deus (cf. Jo 1, 12-13); a caridade faz-nos perseverar na filiação divina de modo concreto, produzindo o fruto do Espírito Santo (cf. Gl 5, 22). A fé faz-nos reconhecer os dons que o Deus bom e generoso nos confia; a caridade fá-los frutificar (cf. Mt 25, 14-30).
3. O entrelaçamento indissolúvel de fé e caridade
À luz de quanto foi dito, torna-se claro que nunca podemos separar e menos ainda contrapor fé e caridade. Estas duas virtudes teologais estão intimamente unidas, e seria errado ver entre elas um contraste ou uma «dialéctica». Na realidade, se, por um lado, é redutiva a posição de quem acentua de tal maneira o carácter prioritário e decisivo da fé que acaba por subestimar ou quase desprezar as obras concretas da caridade reduzindo-a a um genérico humanitarismo, por outro é igualmente redutivo defender uma exagerada supremacia da caridade e sua operatividade, pensando que as obras substituem a fé. Para uma vida espiritual sã, é necessário evitar tanto o fideísmo como o activismo moralista.
A existência cristã consiste num contínuo subir ao monte do encontro com Deus e depois voltar a descer, trazendo o amor e a força que daí derivam, para servir os nossos irmãos e irmãs com o próprio amor de Deus. Na Sagrada Escritura, vemos como o zelo dos Apóstolos pelo anúncio do Evangelho, que suscita a fé, está estreitamente ligado com a amorosa solicitude pelo serviço dos pobres (cf. At 6, 1-4). Na Igreja, devem coexistir e integrar-se contemplação e acção, de certa forma simbolizadas nas figuras evangélicas das irmãs Maria e Marta (cf. Lc 10, 38-42). A prioridade cabe sempre à relação com Deus, e a verdadeira partilha evangélica deve radicar-se na fé (cf. Catequese na Audiência geral de 25 de Abril de 2012). De facto, por vezes tende-se a circunscrever a palavra «caridade» à solidariedade ou à mera ajuda humanitária; é importante recordar, ao invés, que a maior obra de caridade é precisamente a evangelização, ou seja, o «serviço da Palavra». Não há acção mais benéfica e, por conseguinte, caritativa com o próximo do que repartir-lhe o pão da Palavra de Deus, fazê-lo participante da Boa Nova do Evangelho, introduzi-lo no relacionamento com Deus: a evangelização é a promoção mais alta e integral da pessoa humana. Como escreveu o Servo de Deus Papa Paulo VI, na Encíclica Populorum progressio, o anúncio de Cristo é o primeiro e principal factor de desenvolvimento (cf. n. 16). A verdade primordial do amor de Deus por nós, vivida e anunciada, é que abre a nossa existência ao acolhimento deste amor e torna possível o desenvolvimento integral da humanidade e de cada homem (cf. Enc. Caritas in veritate, 8).
Essencialmente, tudo parte do Amor e tende para o Amor. O amor gratuito de Deus é-nos dado a conhecer por meio do anúncio do Evangelho. Se o acolhermos com fé, recebemos aquele primeiro e indispensável contacto com o divino que é capaz de nos fazer «enamorar do Amor», para depois habitar e crescer neste Amor e comunicá-lo com alegria aos outros.
A propósito da relação entre fé e obras de caridade, há um texto na Carta de São Paulo aos Efésios que a resume talvez do melhor modo: «É pela graça que estais salvos, por meio da fé. E isto não vem de vós; é dom de Deus; não vem das obras, para que ninguém se glorie. Porque nós fomos feitos por Ele, criados em Cristo Jesus, para vivermos na prática das boas acções que Deus de antemão preparou para nelas caminharmos» (2, 8-10). Daqui se deduz que toda a iniciativa salvífica vem de Deus, da sua graça, do seu perdão acolhido na fé; mas tal iniciativa, longe de limitar a nossa liberdade e responsabilidade, torna-as mais autênticas e orienta-as para as obras da caridade. Estas não são fruto principalmente do esforço humano, de que vangloriar-se, mas nascem da própria fé, brotam da graça que Deus oferece em abundância. Uma fé sem obras é como uma árvore sem frutos: estas duas virtudes implicam-se mutuamente. A Quaresma, com as indicações que dá tradicionalmente para a vida cristã, convida-nos precisamente a alimentar a fé com uma escuta mais atenta e prolongada da Palavra de Deus e a participação nos Sacramentos e, ao mesmo tempo, a crescer na caridade, no amor a Deus e ao próximo, nomeadamente através do jejum, da penitência e da esmola.
4. Prioridade da fé, primazia da caridade
Como todo o dom de Deus, a fé e a caridade remetem para a acção do mesmo e único Espírito Santo (cf. 1 Cor 13), aquele Espírito que em nós clama:«Abbá! – Pai!» (Gl 4, 6), e que nos faz dizer: «Jesus é Senhor!» (1 Cor 12, 3) e «Maranatha! – Vem, Senhor!» (1 Cor 16, 22; Ap 22, 20).
Enquanto dom e resposta, a fé faz-nos conhecer a verdade de Cristo como Amor encarnado e crucificado, adesão plena e perfeita à vontade do Pai e infinita misericórdia divina para com o próximo; a fé radica no coração e na mente a firme convicção de que precisamente este Amor é a única realidade vitoriosa sobre o mal e a morte. A fé convida-nos a olhar o futuro com a virtude da esperança, na expectativa confiante de que a vitória do amor de Cristo chegue à sua plenitude. Por sua vez, a caridade faz-nos entrar no amor de Deus manifestado em Cristo, faz-nos aderir de modo pessoal e existencial à doação total e sem reservas de Jesus ao Pai e aos irmãos. Infundindo em nós a caridade, o Espírito Santo torna-nos participantes da dedicação própria de Jesus: filial em relação a Deus e fraterna em relação a cada ser humano (cf. Rm 5, 5).
A relação entre estas duas virtudes é análoga à que existe entre dois sacramentos fundamentais da Igreja: o Baptismo e a Eucaristia. O Baptismo (sacramentum fidei) precede a Eucaristia (sacramentum caritatis), mas está orientado para ela, que constitui a plenitude do caminho cristão. De maneira análoga, a fé precede a caridade, mas só se revela genuína se for coroada por ela. Tudo inicia do acolhimento humilde da fé («saber-se amado por Deus»), mas deve chegar à verdade da caridade («saber amar a Deus e ao próximo»), que permanece para sempre, como coroamento de todas as virtudes (cf. 1 Cor 13, 13).
Caríssimos irmãos e irmãs, neste tempo de Quaresma, em que nos preparamos para celebrar o evento da Cruz e da Ressurreição, no qual o Amor de Deus redimiu o mundo e iluminou a história, desejo a todos vós que vivais este tempo precioso reavivando a fé em Jesus Cristo, para entrar no seu próprio circuito de amor ao Pai e a cada irmão e irmã que encontramos na nossa vida. Por isto elevo a minha oração a Deus, enquanto invoco sobre cada um e sobre cada comunidade a Bênção do Senhor!
Vaticano, 15 de Outubro de 2012
 
BENEDICTUS PP. XVI

17 janeiro 2013

oito anos ao serviço da Diocese da Guarda

Oito anos de Ministério Episcopal na Diocese da Guarda
Um balanço pastoral diante dos diocesanos

Cumpro hoje, dia 16 do corrente mês de Janeiro, oito anos de minis­tério episcopal ao serviço da Diocese da Guarda. De facto, em 21 de Dezembro de 2004, o então Papa e agora beato João Paulo II no­meou-me Bispo Coad­jutor da Diocese da Guarda, no impedimento do Sr. D. António dos Santos, por razões de falta de saúde. Entrei na nossa Diocese no dia 16 de Janeiro de 2005, um dia muito frio, mas compensado pelo ca­lo­roso acolhimento que a Dio­cese fazia àquele que o Senhor lhe enviava. Compreendi o entusi­as­mo desta recepção inicial, quando encontrei pos­teriormente, entusi­as­mo  semelhante nas visitas pas­torais que, desde então, fiz a cada uma das mais de 365 paróquias da nossa Diocese. E é principalmente um primeiro balanço das visitas pastorais rea­li­zadas a cada uma das nossas paróqui­as, ao longo de seis anos, de 2006 a 2012, que desejo fazer, aproveitando pa­ra isso esta data.  De facto, foram seis anos de contacto intenso com os párocos, as institui­ções paro­quiais e outras da sociedade civil, através de toda a Diocese. Estive em cada uma das paróquias em dois dias diferentes – num dia de semana, para contacto com pessoas e instituições na máxima proximidade e na realidade da sua vida diária; ao domingo, para celebrar e dar orienta­ções, que invaria­vel­men­te fica­ram registadas por escrito, lidas na assem­bleia dominical e com recomendação de serem transcritas em livro pró­prio. Destaco os seguintes pontos resultado destes contactos.


1. Importância dos cooperadores pastorais de cada pároco.

Encontrei-me com todos os grupos de cooperadores pastorais existentes em cada paróquia. E nestes encontros nunca tive a presença de menos de dez ele­mentos, mas, na esmagadora maioria deles, estiveram presentes dezenas. Se multiplicarmos o número de paróquias da Diocese por dezena e meia, en­con­traremos um número de cooperadores pastorais que ronda os 6 mil. A partir daqui, fico convencido de que a maior parte do nosso tempo, sobretudo de padres e diáconos, tem de ser gasto com a formação e o acom­­panhamento des­tes cooperadores pastorais, nos quais reside o gran­de potencial de crescimento na Fé das nossas comunidades. O esforço que queremos fazer de relançar a recepção do Concílio Vaticano II nas nossas comunidades tem de passar, em gran­de medida, por eles. Por isso, é minha intenção encontrar-me, de novo, com os cooperadores pastorais de cada pároco, dentro do programa de cada uma das jornadas arciprestais, em ano da Fé, que estão já calenda­rizadas.

 2. A catequese e a formação na Fé.

Quanto á catequese da infância e adolescência, verifiquei que são muitas as pa­róquias que têm reduzido número de crianças e adolescentes e que, por isso, es­tão impossibilitadas de cumprir sozinhas este serviço que é es­sen­cial. Esta realidade que é nova, como nova é a diminuição de cri­anças que le­vou a fechar muitas das antigas escolas primárias, por deci­são superior e geralmente uni­lateral do governo, obriga-nos a mentalizar as paróquias e as famílias para a co­operação entre si e assim podermos vir a criar cen­tros de catequese em lugares estratégicos para servirem várias paróquias. Esta tem de ser mais uma das nos­sas prioridade pastorais, nos próximos anos. E já não partimos de zero, neste esforço, pois temos alguns bons exem­plos de catequese a partir do arci­pres­tado. Quanto á formação de adultos na Fé, senti que temos de continuar a fazer esforço para a con­solidar, através dos grupos bíblicos constituídos e ou­tros a que venham a criar-se. A passagem dos missionários pelas paróquias, a reconvocar para o encontro com a Pa­lavra de Deus, de modo geral, foi um apelo sentido pelas pessoas que agora temos de continuar.

 3.Celebrações dominicais

Constatei que as celebrações dominicais são muito apreciadas pelas comu­ni­dades, incluindo muitas que não são sede de paróquia. Mas também cons­­­tatei que vamos ter necessidade de as redistribuir melhor pelo con­jun­to das pa­ró­quias confiadas ao mesmo pároco e também em espaços mais alar­gados, como são os arciprestados. Apesar de algum sacrifício que te­mos de pedir às pessoas, é nossa obrigação de sacerdotes e  diáconos pro­mover maior e melhor coo­pera­ção entre paróquias e paroquianos, tam­­bém na celebração da Fé, sobretudo ao domingo. E isto torna-se ne­cessário não só pela falta de sacerdotes, mas também pela di­minuição da população. A Eucaristia domi­nical tem de ser, acima de tudo, uma cele­bra­ção festiva, o que exige também pes­soas em número sufici­ente. Venho das visitas pastorais com a convicção re­­for­çada de que pre­cisamos de conti­nu­ar  a trabalhar para fazer o ajustamento das celebrações dominicais e dos centros de catequese, começando por cada con­junto de paróquias confia­das ao mesmo pároco e com critérios autorizados pelo Bispo.

4. Ministros extraordinários da Comunhão e serviços da caridade

Constatei que os Ministros Extraordinários da Comunhão constituem uma realidade notável na nossa Diocese e com boa tradição. Em cada paróquia procurei deixar sempre a mensagem de que os Ministros Extraordinários da Comunhão precisam de ser completados por um grupo de Visitadores dos doentes e idosos. A função destes grupos de visitadores de doentes e ido­sos será fazer visitas regulares aos que se encontram nestes circuns­tâncias, seja em suas casas seja nos lares e também  estarem atentos às necessi­dades materiais que possam existir. Esta será a forma de, nos pró­ximos tempos, estendermos a caridade organizada a todas as paróquias.



5. As Comissões fabriqueiras e administração das paróquias

Poucas foram as paróquias que encontrei sem as chamadas comissões da Fábrica da Igreja, que a lei canónica chama conselhos paroquiais para os assuntos económicos. Elas são uma realidade importante nas nossas paróquias e percebi que, em geral, são capazes de compreender a le­gis­lação da Igreja sobre administração paroquial; e pareceram-me interessa­das em receber formação nesse sentido.

Notei que persistem dificuldades, quando se pretende fazer a articulação delas com as mordomias das festas e com as comissões das capelas, mas as orientações que lembrei tiradas da nossa legislação diocesana sobre administração paroquial parecem ter sido compreendidas. Também senti que este é um trabalho persistente que nunca chega ao fim.

6. Movimentos e obras de apostolado

Notei algum vazio de movimentos e obras de apostolado nas nossas paróquias, nomeadamente aqueles movimentos que lhes deram muita vida há anos atrás, como sejam os cursilhos de cristandade e a acção cató­lica. Também não senti toda a desejável presença dos serviços de apoio às famílias, como são as equipas de casais, embora o serviço de Preparação para o Matrimónio (CPM) apareça como um dado adquirido.
Notei sinais de muita presença da associação do Apostolado da Oração nas nossas Paróquias, embora mais enfraquecida do que há décadas atrás, segundo a apreciação dos associa­dos que estiveram presentes nestas reuniões. Senti que este é um movimento que merece a nossa atenção, pois ele ainda está presente em quase todas as paróquias e constitui uma forma muito simples de alimentar a Fé das pessoas, sobretudo com o ofere­cimento das obras do dia e a confissão e comunhão reparadoras mensais. Eu fui lembrando que esta confissão e comunhão  reparadoras mensais po­dem não ser exatamente na primeira sexta-feira.
Também constatei a profunda ligação das nossas Paróquias e Diocese a Nossa Senhora de Fátima, com forte tradição nas peregrinações a Fátima.
Recordei o movimento “Mensagem de Fátima” e também o dos rosaris­tas, com bastante representação em algumas zonas da nossa Diocese e apelei à melhor preparação do centenário das aparições.

7. Quanto ao sacramento do Crisma, sublinhei que a sua celebração deve ser predominantemente no arciprestado ou pelo menos, para já, no conjunto do grupo de Paróquias confiadas ao mesmo Pároco. Precisa de ter - e eu lembrei-o  - momentos de preparação supra-paroquiais, como, por exemplo, retiros, que era bom terem calendarização e participação arciprestais.  E continuando por este caminho, iremos prepa­ran­do o acompanhamento dos jovens como um serviço espe­cífico de pastoral juvenil no âmbito do arciprestado, o que foi recomendado na última toma­da de posse dos arciprestes.

8.  Testemunho da comunhão sacerdotal

Finalmente venho destas visitas pastorais com a convicção reforçada de que o padres do mesmo arciprestado têm de dar testemunho de unidade e comunhão cada vez mais visível. Os fiéis deviam sentir que nós padres, a nível de arciprestado, funcionamos como sendo uma verdadeira equipa, sintonizados nos programas e nas práticas pastorais,  mesmo sabendo que devemos continuar a dar atenção às diferenças.
Venho convencido de que precisamos de  mostrar, na nossa acção de sacer­dotes e na maneira como colaboramos entre nós,  que os arcipres­tados serão as paróquias do futuro, futuro esse que já começou. E aqui lembro as orientações dadas aos arciprestes no acto da sua recente tomada de posse, em que se elencou um conjunto de serviços arciprestais que precisamos de organizar para apoiar a vida das paróquias.

Olhando em frente, depois desta experiência de contacto com a base, através das visitas pastorais, vejo que os próximos três/quatro anos têm de ter para todos nós a grande prioridade de relançar a recepção do Concílio Vaticano II, na nossa diocese e nas suas paróquias. De facto, se formos capazes  de assumir com coragem o modelo de Igreja que o Concílio propõe, daremos importante passo para assegurar o futuro das nossas comunidades, sobretudo procurando promover a comunhão de mi­nistérios ao serviço da comunhão da Igreja. O desejo expresso em assembleia geral do Clero para que se realize também uma assembleia de representantes de todo o povo de Deus presente na nossa Diocese vai funcionar como motivação para este trabalho de levar às comunidades o  autêntico espírito do Concílio. E vemos aqui já a intuição fundamental do nosso programa pastoral para os próximos 3 ou 4  anos.

Olhando, agora, para o ano de 2012, dou graças a Deus pela Ordenação Episcopal do Reverendo D. António Manuel Moiteiro Ramos, na nossa Catedral, em Agosto; regozijo-me com a abertura do ano jubilar do servo de Deus D. João de Oliveira Matos, que se prolonga até Agosto próximo e coloco muita esperança na vivência do ano da Fé por todos os nossos fiéis e pelas nossas comunidades cristãs e  não ape­nas pelo que se espera das jornadas arciprestais da Fé que nos vão ocupar até Junho próximo. Quero relevar o facto de a nossa Diocese, através da Liga dos Servos de Jesus, passar a marcar presença em Angola, com o funcionamento de uma escola preparada para receber 500 alunos e uma comunidade de irmãs. A inau­guração foi em Abril passado e prevemos que o seu pleno funcionamento esteja garantido a partir do próximo mês de Fevereiro.

Que a bênção de Deus nos acompanhe nestas e noutras preocupações pastorais.
 Guarda e Paço Episcopal, 16 de Janeiro de 2013
+Manuel R. Felício, Bispo da Guarda

14 dezembro 2012

Mensagem de Natal de D. Manuel Felício - 2012

"É Natal
E Deus fez-se o próximo mais próximo de nós"
Mais importante do que a vaca e o burrinho, que também expressam o encanto e mesmo o espanto da natureza diante do Mistério de Deus feito Homem, é o Menino Jesus no Presépio de Belém. E também o são Nossa Senhora e S. José que O acolhem e com Ele fazem a Sagrada família de Nazaré. Os pastores representam os mais pobres, os mais débeis da sociedade, que nem casa têm, mas com toda a prontidão correm para Belém e descobrem naquele Menino envolto em faixas, como qualquer outro, o Salvador do Mundo. Não podem guardar esta surpreendente alegria só para si, mas, com grande entusiasmo, vão pressurosos comunicá-la por toda a parte. Por sua vez, a indiferença da cidade perante este hóspede divino, para quem não houve lugar nas casas, faz-nos pensar na actual frieza do nosso mundo secularizado, que teima em virar as costas a tudo o que possa ser entendido como sinal de Deus.
Mas Deus continua igual a si mesmo, no quadro do Presépio de Belém. Não se impõe a ninguém; somente se propõe, sempre muito discreto e humilde, às pessoas que lhe abrem a porta da sua vida, como aconteceu àqueles humildes pastores.
Vamos viver mais um Natal mergulhados em profunda crise, que faz sofrer pessoas, famílias e mesmo comunidades.
Há pessoas e famílias que perderam o estatuto de vida social que tinham, porque lhes foram de repente retirados os recursos. Cresce o número dos que não têm os bens essenciais para sobreviver, como sejam a comida e o vestuário. O próprio acesso aos cuidados de saúde começa a estar em risco para crescente número de pessoas, que já deixam de comprar os remédios receitados por falta de dinheiro. Continua a haver empresas que atravessam sérias dificuldades para manterem os postos de trabalho que criaram. O desânimo está atingir grande número de pessoas que se vêem fora do acesso aos bens essenciais e também à margem da sociedade, porque sem emprego.
Felizmente que a solidariedade na partilha de bens essenciais com aqueles que não têm o necessário continua e reforçada.
Perante este quadro preocupante de dificuldades, sabemos que não podemos esperar do governo e da administração pública aquilo que nos foi prometido. Pelo contrário, temos a clara noção de que nos vão pedir cada vez mais sacrifícios para pagar dívidas que nós não contraímos, embora estejamos conscientes do princípio geral de que quem herda activos também tem de aceitar herdar os passivos.
Perante este quadro de restrições com tendência para aumentarem, como cristãos e comunidades cristãs não podemos cruzar os braços; antes, pelo contrário, pondo em prática a lição do Presépio, queremos estar perto de todos, a começar pelos mais necessitados. E há muitos que não precisam de pão para a boca e roupa para combater o frio, mas precisam do calor da nossa presença. Há gente a precisar do nosso tempo e da nossa proximidade para vencer situações de desânimo provocadas pelo desemprego, pela perda repentina do estatuto humano e social que tinham, ou simplesmente porque estão desorientadas e não sabem o que fazer.
Queremos fazer sentir a todos os que sofrem a nossa presença solidária, no espírito da caridade cristã, fortalecendo as redes de proximidade que já temos e criando outras onde for necessário. Esta queremos que seja a preocupação de todas as nossas paróquias, dos nossos centros paroquiais e misericórdias; de todas as instituições que temos voltadas para ajudar a resolver situações sociais mais preocupantes, como são a Caritas, as Conferências de S. Vicente de Paulo e outras. Queremos colaborar neste Natal, através da campanha nacional dos 10 milhões de estrelas, para fortalecer a proximidade com os que mais precisam, segundo o espírito da caridade cristã.
À Sociedade civil em geral queremos levar a mensagem natalícia de que as redes de proximidade e atendimento personalizado dos indivíduos e das famílias são o caminho para construir verdadeiro bem estar para todos. E sentimos que o próprio acto de governar tem de ser, antes de mais, isto mesmo: criar relações de proximidade com as pessoas, auscultá-las nos seus anseios, potencialidades e dificuldades para, depois, com o máximo consenso possível e a cooperação do maior número, tomar as decisões que o bem de todos impõe, definir caminhos e ajudar as pessoas a percorrê-los com entusiasmo, mesmo que seja preciso fazer alguns sacrifícios.

Um santo Natal, com a luz e esperança do Menino de Belém.


Guarda e Paço Episcopal, 13 de Dezembro de 2012

+Manuel R. Felício, Bispo da Guarda

04 dezembro 2012

Missão para Nova Evangelização | celebração de encerramento

Dia 2 de Dezembro, as comunidades do Arciprestado do Rochoso, bem como outras comunidades que estão confiadas aos três párocos do arciprestado , mas que pertencem ao da Guarda e de Almeida, estiveram reunidas no Rochoso para marcar o encerramento da Missão para Nova Evangelização - Encontro com a Palavra e iniciar o Ano litúrgico de S. Lucas.
Foram mais de três centenas de pessoas que se reuniram, depois de duas semanas em que os missionários redentoristas: Padres Gomes Dias, Silvério e Acácio, passaram por todas as comunidades e motivaram à criação de um grupo bíblico de escuta e meditação da Palavra. No dia antes, eram já 42 os animadores de grupos bíblicos que se reuniram para o encontro final com os missionários.
Neste dia, à hora marcada o Sr. Bispo deu início à celebração, no Largo da Casa Paroquial, de onde todos seguiram em procissão para a Igreja Paroquial, liderados pela Palavra de Deus. Na homilia o bispo diocesano, D. Manuel Felício  referiu que "a fonte da vida é Jesus e a Palavra de Deus" ficando claro que "o tempo é oportunidade que Deus nos dá para nós, com Ele, criarmos uma sociedade nova". Refletindo a Palavra de Deus, o Prelado lança a interrogação "Como se espelha a justiça de Deus no meio de nós? A nossa vida é para ser vivida no amor de Deus e do próximo mas, como diz S. Paulo, temos que ir mais longe". A terminar a homilia, D. Manuel Felício diz que "no ano da fé, esta exige que nós, colaboradores de Deus, promovamos o Paraíso na terra. Este Paraíso é relação com Deus, na medida em que lhe abrirmos o nosso coração. A Fé é uma força que vem da nossa relação com Cristo." O Sr Bispo termina a celebração, dizendo a todos que "temos de caminhar ao ritmo do Evangelho".










Missão para Nova Evangelização | Encontro final com os animadores de grupos bíblicos









23 novembro 2012

Missão para Nova Evangelização | Encontro com a Palavra em Aldeia de Sta Madalena

 Encontro com a Palavra - Aldeia de Santa Madalena | Vila Fernando

21 novembro 2012

Missão para Nova Evangelização | Encontro 3 e formação de grupos bíblicos

Terminaram os três encontros em Vila Fernando. Prevê-se que o se constituam dois grupos bíblicos em Vila Fernando com cerca de 14 pessoas cada um.

Encontro 3 - Vila Fernando







Missão para Nova Evangelização | Encontro 2

" Temos que nos dar a um cristianismo mais verdadeiro, mesmo que nos faça sofrer"
Pe Acácio
 

 Encontro 2 - Vila Fernando





19 novembro 2012

Missão Para Nova Evangelização | Encontro 1

Começou a Missão para Nova Evangelização. As convocatórias para o ENCONTRO COM A PALAVRA estão feitas... os ENCONTROS estão marcados... Até três retiros abertos vamos ter! Encontrem os programas aqui, no blog do Arciprestado e nas paróquias e disponhamos todos a vida para o Encontro com a PALAVRA!
Encontro 1 - VILA FERNANDO




10 novembro 2012

Encontro com a Palavra - Missão para Nova Evangelização

Por vontade de Deus e iniciativa da Diocese, o nosso Arciprestado recebe a Missão para “Nova Evangelização”. Um tempo que pretende aproximar-nos a todos da Palavra de Deus e que através da formação de um grupo bíblico (ou mais), cada cristão tem a possibilidade de aprofundar mais a Bíblia e discernir a vontade de Deus na sua própria vida.
O desafio de Nova Evangelização, não significa um novo anúncio, mas uma nova forma de aproximação da Boa-Nova. Cada individuo é único e tem as suas próprias características. Através da Palavra revelada à humanidade, também cada um percorre um caminho de discernimento da vontade de Deus. É preciso gastar tempo a ouvir e a meditar a Sua Palavra. Podendo fazê-lo em grupo, a riqueza será maior. Chegará ouvir a Palavra de Deus ao Domingo? Não passará ela muito depressa, por vezes, das nossas memórias? Porque não um grupo de pessoas poder encontrar-se e refletir, de forma organizada e sistemática, os Evangelhos? Neste novo ano litúrgico o desafio é S. Lucas.
Porque o nosso Bispo, juntamente com os seus Conselhos, achou que o desafio de viver uma Missão em cada Arciprestado da Diocese como possibilidade de reencontrar o sabor da Sagrada Escritura, entre os dias 17 de novembro e 2 de Dezembro, vamos ter entre nós missionário Redentoristas. Eles são “especialistas” em anunciar a Palavra e ajudar-nos a tornar o anúncio em vida. Estamos todos dispostos a aceitar o desafio?
Neste Ano da Fé, na celebração dos 50 anos do Concílio Vaticano II, desafio a que todos façamos um esforço por tornar a fé mais visível, mais verdadeira e sinal de vida. S. Paulo na Carta aos Filipenses desafia-nos a “brilhar como estrelas no mundo”. Encontremos a Luz: Ouvindo a Palavra. Deixemo-nos iluminar por Ela: meditando a Palavra. Brilhemos como estrelas: vivendo a Palavra. Embarcamos juntos nesta aventura?
                                           Pe Ângelo Miguel


 

07 novembro 2012

Nota episcopal para a Semana dos Seminários 2012


Vamos viver a semana dos seminários de 11 a 18 do corrente mês de Novembro, no contexto do ano da Fé que está em curso.
Vamos pedir ao Senhor que cada sacerdote seja, de verdade, um irmão na Fé e um servidor da Fé dos irmãos.
Sentimos que é grande o apreço do Povo de Deus pelos sacerdotes e podemos testemunhá-lo nos muitos percursos que já fizemos e continuamos a fazer através da nossa Diocese. Ao mesmo tempo, vamos interpretando o sentir das comunidades sobre o que realmente esperam dos seus padres. Esperam deles amizade, proximidade e disponibilidade, mas sobretudo o testemunho de uma Fé autêntica, profundamente enraizada na Pessoa de Cristo e testemunhada nas suas palavras e sobretudo na sua vida.
Para termos padres que sejam, de verdade, homens de Fé e servidores da Fé dos irmãos, precisamos de nos empenhar todos – Bispo, Padres, Diáconos, Comunidades Religiosas, Leigos e Povo de Deus em geral – na promoção das vocações sacerdotais.
Precisamos depois de ter os nossos seminários com as necessárias condições para fazerem uma séria formação sacerdotal.
De facto, os nossos dois seminários – o Seminário Menor do Fundão e o Seminário Maior da Guarda- e o Pré-Seminário estão no centro das preocupações da nossa Diocese, que tudo continua a fazer para lhes garantir também as condições materiais indispensáveis, dentro do estilo de vida simples e pobre que é recomendado a todos os sacer­dotes.
Por isso, o ofertório, em todas as celebrações dominicais realizadas na nossa Diocese, no próximo dia 18 do corrente, domingo, reverte para a sustentação dos nossos seminários.
Esta é uma causa que merece o máximo empenho de todos nós. À solicitude materna de Nossa Senhora confiamos todas as iniciativas desta semana dos seminários.


Guarda e Paço Episcopal, 5 de Novembro de 2012

+Manuel R. Felício, Bispo da Guarda

06 novembro 2012

Lançamento do novo CD da BandaJota

09 outubro 2012

Abertura do ano da fé

Celebração Arciprestal de Abertura do Ano da Fé
14 de Outubro - Domingo - 15h00m
Igreja do Santuário de Nossa Senhora do Monte - Cerdeira

Início da catequese paroquial

Já começou a catequese e os grupos já estão feitos e distribuídos.
A catequese é ao sábado:

15h00m
10.º ano - catequista: Pe Ângelo
8.º ano - catequista: Cila Marques
5.º ano - catequista: Patrícia Seixo
4.º ano - catequista: Sandrina

16h00m
1.º ano - catequista: Gracinda
2.º e 3.º ano - catequista: Maria da Graça
7.º ano - catequista: Patrícia Seixo

08 setembro 2012

Proposta de reflexão para Setembro


07 julho 2012

Peregrinação Diocesana a Fátima 2012