28 outubro 2010

Celebração Arciprestal 2010/2011

CELEBRAÇÃO ARCIPRESTAL
21 Novembro 2010 | Solenidade de Cristo-Rei
ROCHOSO

«Palavra de Deus: Convoca e Envia»

15H00M - Concentração nos lugares a comunicar a cada paróquia.
15h30m - chegada à Igreja e celebração da Eucaristia presidida pelo Bispo da Guarda, D. Manuel da Rocha Felício
No fim da celebração será apresentado e entregue o símbolo que irá percorrer todo o Arciprestado ao longo do ano litúrgico.

16 outubro 2010

Ano Pastoral 2010/2011 - I Senso Arciprestal

Após a reunião do Conselho Pastoral Arciprestal, e como fruto da reflexão nele realizada, vai ser realizado um Senso a todas as paróquias do Arciprestado. Este Senso (o primeiro) vai decorrer até ao fim do mês de Outubro e tem como objectivos:

1. saber quem são os cristãos católicos de cada comunidade e sua idade;
2. a sua participação na Eucaristia (habitual ou ocasional);
3. se possuem Bíblia em casa;
4. quem está disposto a fazer parte de um grupo de estudo da Bíblia (Evangelista S. Mateus).

Na nossa comunidade este Senso vai realizar-se ao longo deste e do próximo Domingo no final das celebrações. Pede-se a colaboração e a paciência de todos, para que no final da Eucaristia permaneçam mais um pouco, a fim de preencher as tabelas.

Pe Ângelo Martins

14 outubro 2010

Catequese de Infância e Adolescência

FORMAÇÃO MENSAL DE CATEQUISTAS
Sábado, dia 16 de Outubro
09h30m
nas instalações do Colégio do Rochoso
(entrada principal, sobe-se a escadaria e sala em frente)

31 agosto 2010

Preparação do Ano Pastoral 2010/2011

Dia 11 de Setembro de 2010
SALÃO PAROQUIAL DO ROCHOSO

10h00m
CONSELHO ARCIPRESTAL DA CATEQUESE
(com a presença de todos os catequistas)

14h30m
CONSELHO PASTORAL ARCIPRESTAL
(com a presença de um representante de cada paróquia)

26 agosto 2010

Papa lembra 100.º aniversário do nascimento da Beata de Calcutá


Bento XVI assinalou hoje o 100.º aniversário do nascimento de Madre Teresa de Calcutá com uma mensagem, na qual apresenta a Beata como um “dom inestimável” para a Igreja e o mundo.

O Papa escreveu à Superiora Geral das Missionários da Caridade, a Irmã Mary Prema, unindo-se “espiritualmente” às celebrações.

Para Bento XVI, o aniversário deste dia 26 de Agosto é uma oportunidade para manifestar “alegre gratidão a Deus pelo dom inestimável que a Madre Teresa foi durante a sua vida”.

A mensagem foi lida durante uma Missa celebrada na casa-mãe da congregação fundada pela Beata, em Calcutá (Índia), presidida pelo Arcebispo local, D. Lucas Sirkar.

O texto assinado pelo Papa pede que as Missionárias da Caridade continuem o trabalho de Madre Teresa, “aproximando-se da pessoa de Jesus, cuja sede de almas é saciada pelo vosso ministério junto dos mais pobres dos pobres”.

Bento XVI convida as religiosas a "doar-se generosamente a Jesus, que vedes e servis nos pobres, nos doentes, nos sós e abandonados".

"Encorajo-vos a aprender constantemente da espiritualidade e do exemplo de Madre Teresa e, nos seus passos, aceitar o convite de Cristo: «Vem, sê a minha luz»", acrescenta.

Considerada uma das mulheres mais influentes do século XX, Agnes Gonxha Bojaxhiu nasceu na actual Skopje, capital da Macedónia (à época Üsküb, integrada no império Otomano), a 26 de Agosto de 1910. Deixou a sua terra natal em Setembro de 1928, entrando no convento de Rathfarnam (Dublin), Irlanda. Ali foi acolhida como postulante no dia 12 de Outubro e recebeu o nome de Teresa, como a sua padroeira, Santa Teresa de Lisieux.

Foi enviada pela congregação do Loreto para a Índia e chegou a Calcutá no dia 6 de Janeiro de 1929, com 19 anos. Fez a profissão perpétua a 24 de Maio de 1937 e daquele dia em diante foi chamada Madre Teresa.

No dia 10 de Setembro de 1946, no comboio que a conduzia de Calcutá para Darjeeling, Madre Tereza recebeu aquilo que ela chamou “chamamento no chamamento”, que teria feito nascer a família dos Missionários da Caridade.

Ao longo dos anos 50 e no início dos anos 60, Madre Teresa estendeu a obra das Missionárias da Caridade seja internamente dentro Calcutá, seja em toda a Índia. No dia 1 de Fevereiro de 1965, Paulo VI concedeu à Congregação o “Decretum Laudis”, elevando-a a direito pontifício.

Em 1979, Madre Teresa recebeu o Prémio Nobel da Paz, como reconhecimento pelo seu trabalho.

No final dos anos 80 e durante os anos 90, não obstante os crescentes problemas de saúde, Madre Teresa continuou a viajar pelo mundo para a profissão das noviças, para abrir novas casas de missão e para servir os pobres e aqueles que tinham sido atingidos por diversas calamidades.

Às 9h30 da noite do dia 5 de Setembro de 1997, morreu na Casa Geral. No dia 13 de Setembro teve um funeral de Estado e o seu corpo foi conduzido num longo cortejo através as estradas de Calcutá.

Foi beatificada por João Paulo II a 19 de Outubro de 2003, após o Papa polaco ter dispensado o período de espera de 5 anos para a abertura da Causa de Canonização.

in Agência Ecclesia

23 agosto 2010

Homilia de encerramento da Peregrinação Diocesana a Fátima 2010

Sr.Reitor do Santuário,

Sr.s Padres, diáconos e outros ministros do altar,

Irmãos e irmãs,

Peregrinos,

Estamos em peregrinação ao Santuário de Fátima e a Diocese da Guarda cumpre uma tradição que é mais do que cinquentenária.

De início peregrinação a pão e água, agora queremos que continue a ser verdadeiramente peregrinação, feita de penitência e oração, como recomenda a mensagem de Fátima.

Fazemos a nossa peregrinação no dia em que se cumpre o aniversário da quarta aparição de Nossa Senhora, como ouvimos na introdução feita a esta celebração. Escutamos, à distância de 93 anos, o apelo feito por Nossa Senhora aos três pastorinhos, pedindo-lhes que rezassem, rezassem muito pela conversão dos pecadores. E acrescentou: “Há muitas almas que vão para o inferno por não haver quem reze e se sacrifique por elas”.

O pedido de oração e penitência não perdeu nenhuma actualidade e nós estamos aqui, em peregrinação, para lhe dar cumprimento.

Peregrinamos ao Santuário de Fátima também três meses depois da visita que nos fez o Santo Padre Bento XVI. Continua muito presente neste Santuário o seu apelo para vivermos a sério a Fé e a Missão em que ela nos compromete.

E quando nos falava em missão, o Papa sublinhava que agora o critério decisivo para definirmos o que são terras de missão já não é a geografria. Ou seja, terras de missão não são apenas aquelas que estão longe de nós e onde nunca se ouviu falar de Jesus Cristo. Ao contrário, há ambientes muito próximos de nós que um dia foram tocados pelo Evangelho e ainda permanecem com muita simbologia e muitas tradições de Fé, mas agora se encontram realmente afastadas de Cristo. Sobretudo há muitas pessoas que um dia foram baptizadas, fizeram o seu percurso de Fé durante a infância, mas depois se afastaram do Evangelho. Terrenos de missão são para nós hoje também estas pessoas e estes ambientes, o que nos obriga a, de forna criativa, procurar os caminhos mais indicados para promover o seu reencontro com a Fé. É isto a nova evangelização que a Igreja nos recomenda.

A este apelo do Papa quer responder a Igreja em Portugal com coragem e determinação. Por isso, a Conferência Episcopal Portuguesa já desencadeou um processo que pretendemos seja participado pelo maior número de cristãos e instâncias decisórias das distintas comunidades cristãs, a que chamou “Repensar a pastoral da Igreja em Portugal”. Duas notas estão à partida a marcar este processo de reflexão e decisão: uma delas é que precisamos de renovar a Fé em nós e nas nossas comunidades; a outra é que da Fé faz parte a missão.

Também nós queremos hoje colocar aos pés de Nossa Senhora esta grande preocupação da Igreja em Portugal e procurar que seja cada vez mais a grande preocupação de cada um de nós.

Escutámos o Evangelho que hoje nos convida a acolher a Palavra de Deus e a pô-la em prática. Esse é o exemplo e o apelo de Nossa Senhora. Ela é de facto a primeira discípula de Cristo e o modelo de quem acolhe a Palavra Eterna de Deus, na Pessoa de Seu Filho Nosso Senhor Jesus Cristo Salvador.

Também nós queremos sentir como Maria que a Palvra de Deus nos congrega e nos envia. Podemos fazer a experiência da escuta da Palavra individualmente; mas o que nos é pedido é que o façamos em comunidade, em grupos de escuta, de partilha e de discernimento dos caminhos por onde há-de ser conduzida a missão em que a mesma Palavra também nos compromete.

Para isso é importante que as nossas paróquias ou mesmo unidades pastorais sejam progressivamente comunhão de comunidades mais pequenas. Comunidades onde as pessoas se conhecem, se relacionam intensamente, se ajudam a superar dificuldades e a viver a vida com esperança.

Ao mesmo tempo é necessário promover também a comunhão de serviços e a valorização dos carismas para que todas e cada uma das pessoas se sintam bem a participar na vida da comunidade.

A Palavra de Deus, estando no centro da vida das pessoas e das comunidades, é a luz e a força que nos há-de ajudar a encontrar os caminhos da renovação da Fé, contribuindo, assim, também para uma vida social onde há lugar para todos e ninguém se sente à margem.

Ao iniciarmos um novo ano pastoral, queremos pedir a Nossa Senhora que coloque sobre todos nós e nossas comunidades o seu olhar de Mãe e o seu manto de protecção.

Assim, com o modelo de Maria à nossa frente, queremos que este ano pastoral nos ajude a progredir na nossa condição de discípulos missionários.

Igreja da Santíssima Trindade, 19 de Agosto de 2010

+Manuel R. Felício, Bispo da Guarda

17 agosto 2010

Papa propõe “ecumenismo da santidade” do Irmão Roger

No 70º aniversário da fundação de Taizé e 5º de falecimento do seu fundador

Bento XVI desejou que o testemunho "de um ecumenismo da santidade" do fundador de Taizé, o Irmão Roger, "nos inspire em nosso caminho rumo à unidade".

Este foi o destaque de uma mensagem enviada pelo atual prior da comunidade de Taizé, o Irmão Alois, por ocasião do duplo aniversário - dos 70 anos da fundação da comunidade de Taizé e dos 5 anos da morte do seu fundador, o Irmão Roger.

Cerca de 5 mil pessoas comemoraram os eventos em Taizé, no último dia 14 de agosto, com a entrada de um novo irmão na comunidade, uma oração e uma peregrinação, segundo informou a comunidade de Taizé.

O ato começou às 19h30, em um grande campo, ao lado do povoado francês de Taizé, com a celebração, ao ar livre, da oração comum.

Um jovem italiano que havia entrado há algum tempo na comunidade, vestiu o hábito branco dos irmãos desta comunidade ecumênica.

A oração foi enriquecida com cantos, um texto bíblico lido em vários idiomas por jovens de diversos continentes e um momento de silêncio.

A seguir, os irmãos e os milhares de jovens de 70 países, que acabavam de passar uma semana em Taizé, assim como algumas crianças, atravessaram o pequeno povoado em peregrinação.

Passaram na frente do cemitério da pequena igreja românica onde descansam os restos mortais do Irmão Roger e onde foi colocado, para a ocasião, o ícone egípcio da amizade, que era muito querido pelo fundador da comunidade.

E se dirigiram à igreja da Reconciliação, onde foi lida a passagem da Ressurreição; e os participantes acenderam milhares de pequenas velas, como símbolo da esperança na ressurreição.

O Irmão Alois pronunciou as únicas palavras do ato: uma oração na qual agradeceu "pela vida entregue do nosso Irmão Roger, que nos deixou há 5 anos e que há 70 chegou sozinho a este povoado de Taizé".

A oração recordou alguns aspectos do fundador de Taizé: "Ele procurava viver ardentemente da vossa confiança e transmitir vossa bondade infinita a cada ser humano".

"Nessa confiança, Vós lhe concedestes encontrar a fonte da alegria e da paz; a paz do coração, que foi o que fez dele um criador de paz entre os homens", continuou o prior.

"Como São João Batista, ele só queria preparar os caminhos de Cristo e reunir vosso povo para dizer a todos que 'Deus está muito perto de vós'", acrescentou.

Entre outras coisas, recordou que o Irmão Roger, "ainda que pobre e vulnerável - usando suas próprias expressões -, escolheu amar com todas as suas forças".

"Amava a Igreja, que reúne os crentes em uma única comunhão, muito além de todas as fronteiras políticas, sociais ou culturais - afirmou. Este era, para ele, o sinal de esperança de uma humanidade reconciliada."

Por ocasião do aniversário, numerosas personalidades enviaram mensagens à comunidade de Taizé, entre elas o Papa Bento XVI, os patriarcas de Constantinopla e de Moscou, o arcebispo da Cantuária e os responsáveis luteranos reformados.

27 julho 2010

um hino bem bonito...

16 julho 2010

Novo Ano Pastoral 2010/2011

Cartaz de divulgação do novo ano pastoral no Arciprestado do Rochoso, subordinado ao tema Diocesano: "A PALAVRA DE DEUS CONVOCA E ENVIA", que a partir de Novembro todas as paróquias terão grupos formados para reflectir o Evangelho de S. Mateus (o Evangelista do próximo Ano Litúrgico). Brevemente este cartaz estará disponível em todas as paróquias com o calendário de Setembro (mês de preparação do Ano Pastoral).

13 julho 2010

25 junho 2010

Início do lançamento do Novo Ano Pastoral 2010/2011

O novo Ano Pastoral 2010/2011 para a nossa Diocese da Guarda, a iniciar em Setembro, vai colocar no centro das preocupações das comunidades cristãs o estudo da Sagrada Escritura, através de um maior estudo, reflexão e conhecimento dos evangelistas de cada ano. O Ano Litúrgico a iniciar no tempo do Advento (Novembro) vai propor o Evangelista S. Mateus. Desde já se coloca ao cuidado da cada cristãos da nossa paróquia o desejo e a vontade em conhecer e reflectir mais o Evangelho de S. Mateus. Com a criação de Grupos Bíblicos, podemos ler e pensar no que a Sagrada Escritura pode querer dizer à vida de cada um, pensando livremente e partilhando livremente. Para já fica um "esboço de cartaz" para início de divulgação e, mais tarde haverá mais noticias.


18 junho 2010

II Dia Arciprestal da Catequese

o Vídeo do Seminário do Fundão a propósito da nossa visita...

14 junho 2010

II Dia Arciprestal da Catequese - 2010

à chegada

No passado sábado, dia 12 de Junho, as crianças e adolescentes que fazem parte dos grupos de Catequese nas paróquias do Arciprestado do Rochoso, participaram no Dia Arciprestal da Catequese, este ano no Seminário Menor do Fundão. Após a sensibilização Vocacional que o Seminário veio fazer junto dos catequistas e das paróquias, no passado mês de Janeiro, foi lançada esta proposta que agora foi realizada. O acolhimento das cerca de 160 pessoas (crianças e catequistas) esteve a cargo do Pe Luís Campos e do Pe António Carlos que depois de uma oração matinal na capela do Seminário, cantaram com todos, mostraram e explicaram o que era o Seminário. Depois do almoço foram os Escuteiros que estiveram a dinamizar a tarde, com a Sandra e o Miguel. Mostraram bem o que era ser Escuteiro, nas suas dinâmicas, jogos e aventuras e, ficou claro, o importante compromisso: só poderá ser escuteiro quem vai à Catequese e participa também nas actividades da paróquia. Deste dia animado e cheio de riqueza fraterna ficou a vontade de alguns conhecerem melhor o Seminário e de outros serem ou participarem numa outra actividade do Escutismo. Claro está que ainda houve tempo para subir a algumas cerejeiras do Seminário e comer alguns dos seus deliciosos frutos!

durante o momento da oração da manhã na capela do Seminário

06 junho 2010

a terminar o Ano Sacerdotal



Que o fim deste Ano Sacerdotal seja também um começo...

05 junho 2010

Peregrinação Diocesana a Fátima 2010

clique na imagem para ver melhor

04 junho 2010

Mensagem ao Povo de Deus



Com data de 28 de Maio, o Conselho Presbiteral da Diocese da Guarda divulgou a seguinte Mensagem ao Povo de Deus:

“No início do Ano Sacerdotal, enviámos uma mensagem ao Povo Deus que vive na diocese da Guarda. Depois de realizada a Assembleia Geral do Clero, no final do mês de Abril, e aproximando-se já o termo do Ano Sacerdotal, julgamos oportuno fazer chegar uma outra mensagem, com base no que debatemos nessa Assembleia e nas propostas que foram feitas.

1. Reunimo-nos com o objectivo de servir cada vez melhor o Povo de Deus e, ao longo de dois dias, procurámos reflectir sobre as estruturas diocesanas; as actuais dificuldades da vida sacerdotal; a comunhão no presbitério e a nova evangelização; o testemunho de vida sacerdotal e as novas vocações sacerdotais; o novo modelo de Igreja, tendente a ser mais comunidade ministerial.

2. Diante do Povo de Deus, desejamos testemunhar que sentimos o Presbitério Diocesano como factor de identidade e espiritualidade sacerdotal. Inseridos afectivamente nele, queremos colocar as nossas capacidades humanas, enobrecidas pela acção do Espírito em nós, ao serviço da comunhão de toda a Igreja diocesana. O trabalho pastoral ainda não é desenvolvido em total espírito de comunhão e cooperação entre nós, presbíteros, mas desejamos progredir nesse caminho. Devemos ter a coragem de estender essa comunhão e cooperação à nossa própria sustentação material, que há-de pautar-se pela sobriedade e dignidade. Temos, aliás, dois organismos para mais facilmente a tornarmos efectiva: o Instituto Diocesano de Comunhão e Partilha e a Fundação Nun’Álvares.

3. Embora sintamos dor e tristeza face a alguns problemas conjunturais que assolam hoje em dia a Igreja de Cristo, continuaremos dispostos a construir uma Igreja fiel às orientações do Concílio Vaticano II e da Sé Apostólica, vozes do Espírito de Deus que nos convidam à comunhão e à co-responsabilidade eclesiais. Para dar maior visibilidade a este novo modelo de Igreja, é imperioso que usemos melhor as estruturas de comunhão existentes e tenhamos abertura de espírito e confiança para criarmos e acarinharmos outras necessárias para este tempo.

4. Queremos dizer ao Povo de Deus que a angariação de candidatos ao ministério sacerdotal, doravante, estará mais no centro das nossas preocupações. Por isso, iremos pedir um redobrado empenho de todos, em ordem a que cada paróquia se torne progressivamente uma comunidade consciente de ter sido chamada por Deus e que, por sua vez, chama alguns a seguirem a Cristo na condição de pastores e por eles reza assiduamente. Por outro lado, tentaremos agilizar as estruturas de acompanhamento vocacional – o Pré-Seminário e o Seminário Menor – para que o Seminário Maior disponha dum número suficiente de jovens a preparar-se para o ministério ordenado.

5. Partilhamos, agora, convosco algumas dificuldades inerentes ao exercício do nosso ministério sacerdotal, ao mesmo tempo que imploramos que continueis a rogar a Deus para que sejamos fiéis a Cristo. Constatamos que não temos conseguido implementar ainda uma verdadeira pastoral de conjunto; que somos pouco solidários na aplicação de normas pastorais; que temos sacrificado a qualidade das celebrações eucarísticas à quantidade, ainda que na recta intenção de as proporcionarmos a quase todas as comunidades cristãs em dia de Domingo; que a catequese de adultos foi uma iniciativa de resultados muito modestos; que mobilizamos poucos leigos para o serviço nas comunidades cristãs; que a distribuição do clero continua a ser pouco equitativa; e que há em nós resistências a novas e urgentes formas de organização da pastoral diocesana.

6. Particularmente neste Ano Sacerdotal, sentimos que somos interpelados a ser verdadeiramente padres fiéis ao dom recebido e entregues à missão que queremos intensificar na diocese. O Espírito nos pede e nos impele a que dêmos um testemunho alegre da fé que nos anima, e que estejamos sempre prontos a dar razões da nossa esperança, sobretudo através da caridade para com todos, crentes e descrentes.

7. Pedindo-vos perdão pelas vezes em que não fomos pastores segundo o Coração de Cristo, o único Bom Pastor, fica o nosso compromisso de nos deixarmos conduzir mais pela luz e força do Espírito Santo, imitando assim a Santíssima Virgem, e à sua maternal protecção vos confiamos”.

15 maio 2010

Homilia do Santo Padre - 13 Maio 2010, em Fátima

Queridos peregrinos,


«A linhagem do povo de Deus será conhecida […] como linhagem que o Senhor abençoou» (Is 61, 9). Assim começava a primeira leitura desta Eucaristia, cujas palavras encontram uma realização admirável nesta devota assembleia aos pés de Nossa Senhora de Fátima. Irmãs e irmãos muito amados, também eu vim como peregrino a Fátima, a esta «casa» que Maria escolheu para nos falar nos tempos modernos. Vim a Fátima para rejubilar com a presença de Maria e sua materna protecção. Vim a Fátima, porque hoje converge para aqui a Igreja peregrina, querida pelo seu Filho como instrumento de evangelização e sacramento de salvação. Vim a Fátima para rezar, com Maria e tantos peregrinos, pela nossa humanidade acabrunhada por misérias e sofrimentos. Enfim, com os mesmos sentimentos dos Beatos Francisco e Jacinta e da Serva de Deus Lúcia, vim a Fátima para confiar a Nossa Senhora a confissão íntima de que «amo», de que a Igreja, de que os sacerdotes «amam» Jesus e n’Ele desejam manter fixos os olhos ao terminar este Ano Sacerdotal, e para confiar à protecção materna de Maria os sacerdotes, os consagrados e consagradas, os missionários e todos os obreiros do bem que tornam acolhedora e benfazeja a Casa de Deus.
São a linhagem que o Senhor abençoou… Linhagem que o Senhor abençoou és tu, amada diocese de Leiria-Fátima, com o teu Pastor Dom António Marto, a quem agradeço a saudação inicial e todas as atenções com que me cumulou nomeadamente através de seus colaboradores neste santuário. Saúdo o Senhor Presidente da República e demais autoridades ao serviço desta Nação gloriosa. Idealmente abraço todas as dioceses de Portugal, aqui representadas pelos seus Bispos, e confio ao Céu todos os povos e nações da terra. Em Deus, estreito ao coração todos os seus filhos e filhas, especialmente quantos vivem atribulados ou abandonados, no desejo de comunicar-lhes aquela esperança grande que arde no meu coração e que, em Fátima, se faz encontrar mais sensivelmente. A nossa grande esperança lance raízes na vida de cada um de vós, amados peregrinos aqui presentes, e de quantos estão em comunhão connosco através dos meios de comunicação social.
Sim! O Senhor, a nossa grande esperança, está connosco; no seu amor misericordioso, oferece um futuro ao seu povo: um futuro de comunhão consigo. Tendo experimentado a misericórdia e consolação de Deus que não o abandonara no fatigante caminho do regresso do exílio de Babilónia, o povo de Deus exclama: «Exulto de alegria no Senhor, a minha alma rejubila no meu Deus» (Is 61, 10). Filha excelsa deste povo é a Virgem
Mãe de Nazaré, a qual, revestida de graça e docemente surpreendida com a gestação de Deus que se estava operando no seu seio, faz igualmente sua esta alegria e esta esperança no cântico do Magnificat: «O meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador». Entretanto não se vê como privilegiada no meio de um povo estéril, antes profetiza-lhe as doces alegrias duma prodigiosa maternidade de Deus, porque «a sua misericórdia se estende de geração em geração sobre aqueles que O temem» (Lc 1, 47.50).
Prova disto mesmo é este lugar bendito. Mais sete anos e voltareis aqui para celebrar o centenário da primeira visita feita pela Senhora «vinda do Céu», como Mestra que introduz os pequenos videntes no conhecimento íntimo do Amor Trinitário e os leva a saborear o próprio Deus como o mais belo da existência humana. Uma experiência de graça que os tornou enamorados de Deus em Jesus, a ponto da Jacinta exclamar: «Gosto tanto de dizer a Jesus que O amo. Quando Lho digo muitas vezes, parece que tenho um lume no peito, mas não me queimo». E o Francisco dizia: «Do que gostei mais foi de ver a Nosso Senhor, naquela luz que Nossa Senhora nos meteu no peito. Gosto tanto de Deus!» (Memórias da Irmã Lúcia, I, 40 e 127).
Irmãos, ao ouvir estes inocentes e profundos desabafos místicos dos Pastorinhos, poderia alguém olhar para eles com um pouco de inveja por terem visto ou com a desiludida resignação de quem não teve essa sorte mas insiste em ver. A tais pessoas, o Papa diz como Jesus: «Não andareis vós enganadas, ignorando as Escrituras e o poder de Deus?» (Mc 12, 24). As Escrituras convidam-nos a crer: «Felizes os que acreditam sem terem visto» (Jo 20, 29), mas Deus – mais íntimo a mim mesmo de quanto o seja eu próprio (cf. Santo Agostinho, Confissões, III, 6, 11) – tem o poder de chegar até nós nomeadamente através dos sentidos interiores, de modo que a alma recebe o toque suave de algo real que está para além do sensível, tornando-a capaz de alcançar o não-sensível, o não-visível aos sentidos. Para isso exige-se uma vigilância interior do coração que, na maior parte do tempo, não possuímos por causa da forte pressão das realidades externas e das imagens e preocupações que enchem a alma (cf. Card. Joseph Ratzinger, Comentário teológico da Mensagem de Fátima, ano 2000). Sim! Deus pode alcançar-nos, oferecendo-Se à nossa visão interior.
Mais ainda, aquela Luz no íntimo dos Pastorinhos, que provém do futuro de Deus, é a mesma que se manifestou na plenitude dos tempos e veio para todos: o Filho de Deus feito homem. Que Ele tem poder para incendiar os corações mais frios e tristes, vemo-lo nos discípulos de Emaús (cf. Lc 24, 32). Por isso a nossa esperança tem fundamento real, apoia-se num acontecimento que se coloca na história e ao mesmo tempo excede-a: é Jesus de Nazaré. E o entusiasmo que a sua sabedoria e poder salvífico suscitavam nas pessoas de então era tal que uma mulher do meio da multidão – como ouvimos no Evangelho – exclama: «Feliz Aquela que Te trouxe no seu ventre e Te amamentou ao seu peito». Contudo Jesus observou: «Mais felizes são os que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática» (Lc 11, 27. 28). Mas quem tem tempo para escutar a sua palavra e deixar-se fascinar pelo seu amor? Quem vela, na noite da dúvida e da incerteza, com o coração acordado em oração? Quem espera a aurora do dia novo, tendo acesa a chama da fé? A fé em Deus abre ao homem o horizonte de uma esperança certa que não desilude; indica um sólido fundamento sobre o qual apoiar, sem medo, a própria vida; pede o abandono, cheio de confiança, nas mãos do Amor que sustenta o mundo.
«A linhagem do povo de Deus será conhecida […] como linhagem que o Senhor abençoou» (Is 61, 9) com uma esperança inabalável e que frutifica num amor que se sacrifica pelos outros, mas não sacrifica os outros; antes – como ouvimos na segunda leitura – «tudo desculpa, tudo acredita, tudo espera, tudo suporta» (1 Cor 13, 7). Exemplo e estímulo são os Pastorinhos, que fizeram da sua vida uma doação a Deus e uma partilha com os outros por amor de Deus. Nossa Senhora ajudou-os a abrir o coração à universalidade do amor. De modo particular, a beata Jacinta mostrava-se incansável na partilha com os pobres e no sacrifício pela conversão dos pecadores. Só com este amor de fraternidade e partilha construiremos a civilização do Amor e da Paz.
Iludir-se-ia quem pensasse que a missão profética de Fátima esteja concluída. Aqui revive aquele desígnio de Deus que interpela a humanidade desde os seus primórdios: «Onde está Abel, teu irmão? […] A voz do sangue do teu irmão clama da terra até Mim» (Gn 4, 9). O homem pôde despoletar um ciclo de morte e terror, mas não consegue interrompê-lo… Na Sagrada Escritura, é frequente aparecer Deus à procura de justos para salvar a cidade humana e o mesmo faz aqui, em Fátima, quando Nossa Senhora pergunta: «Quereis oferecer-vos a Deus para suportar todos os sofrimentos que Ele quiser enviar-vos, em acto de reparação pelos pecados com que Ele mesmo é ofendido e de súplica pela conversão dos pecadores?» (Memórias da Irmã Lúcia, I, 162).
Com a família humana pronta a sacrificar os seus laços mais sagrados no altar de mesquinhos egoísmos de nação, raça, ideologia, grupo, indivíduo, veio do Céu a nossa bendita Mãe oferecendo-Se para transplantar no coração de quantos se Lhe entregam o Amor de Deus que arde no seu. Então eram só três, cujo exemplo de vida irradiou e se multiplicou em grupos sem conta por toda a superfície da terra, nomeadamente à passagem da Virgem Peregrina, que se votaram à causa da solidariedade fraterna. Possam os sete anos que nos separam do centenário das Aparições apressar o anunciado triunfo do Coração Imaculado de Maria para glória da Santíssima ...

14 maio 2010

Palavras do Santo Padre na Celebração das Vésperas (12 Maio 2010)

Queridos irmãos e irmãs,

«Ao chegar a plenitude dos tempos, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher […] para nos tornar seus filhos adoptivos» (Gal 4, 4.5). A plenitude dos tempos chegou, quando o Eterno irrompeu no tempo; por obra e graça do Espírito Santo, o Filho do Altíssimo foi concebido e fez-Se homem no seio de uma mulher: a Virgem Mãe, tipo e modelo excelso da Igreja crente. Esta não cessa de gerar novos filhos no Filho, que o Pai quis primogénito de muitos irmãos. Cada um de nós é chamado a ser, com Maria e como Maria, um sinal humilde e simples da Igreja que continuamente se oferece como esposa nas mãos do seu Senhor.
A todos vós que doastes a vida a Cristo, desejo nesta tarde exprimir o apreço e reconhecimento eclesial. Obrigado pelo vosso testemunho muitas vezes silencioso e nada fácil; obrigado pela vossa fidelidade ao Evangelho e à Igreja. Em Jesus presente na Eucaristia, abraço os meus irmãos no sacerdócio e os diáconos, consagradas e consagrados, seminaristas e membros dos movimentos e novas comunidades eclesiais aqui presentes. Queira o Senhor recompensar, como só Ele sabe e pode fazer, quantos tornaram possível encontrarmo-nos aqui junto de Jesus Eucaristia, designadamente a Comissão Episcopal das Vocações e Ministérios com o seu Presidente, Dom António Santos, a quem agradeço as palavras repassadas de afecto colegial e fraterno pronunciadas no início das Vésperas. Neste ideal «cenáculo» de fé que é Fátima, a Virgem Mãe indica-nos o caminho para a nossa oblação pura e santa nas mãos do Pai.
Permiti abrir-vos o coração para vos dizer que a principal preocupação de todo o cristão, nomeadamente da pessoa consagrada e do ministro do Altar, há-de ser a fidelidade, a lealdade à própria vocação, como discípulo que quer seguir o Senhor. A fidelidade no tempo é o nome do amor; de um amor coerente, verdadeiro e profundo a Cristo Sacerdote. «Se o Baptismo é um verdadeiro ingresso na santidade de Deus através da inserção em Cristo e da habitação do seu Espírito, seria um contra-senso contentar-se com uma vida medíocre, pautada por uma ética minimalista e uma religiosidade superficial» (João Paulo II, Carta ap. Novo millennio ineunte, 31). Neste Ano Sacerdotal, já a caminho do fim, uma graça abundante desça sobre todos vós para viverdes a alegria da consagração e testemunhardes a fidelidade sacerdotal alicerçada na fidelidade de Cristo. Isto supõe, evidentemente, uma verdadeira intimidade com Cristo na oração, pois será a experiência forte e intensa do amor do Senhor que há-de levar os
sacerdotes e os consagrados a corresponderem ao seu amor de modo exclusivo e esponsal.
Esta vida de especial consagração nasceu como memória evangélica para o povo de Deus, memória que manifesta, atesta e anuncia a toda a Igreja o radicalismo evangélico e a vinda do Reino. Pois bem, queridos consagrados e consagradas, com o vosso empenho na oração, na ascese, no progresso da vida espiritual, na acção apostólica e na missão, tendeis para a Jerusalém Celeste, antecipais a Igreja escatológica, firme na posse e contemplação amorosa de Deus-Amor. Como é grande, hoje, a necessidade deste testemunho! Muitos dos nossos irmãos vivem como se não houvesse um Além, sem se importar com a própria salvação eterna. Os homens são chamados a aderir ao conhecimento e ao amor de Deus, e a Igreja tem a missão de os ajudar nesta vocação. Bem sabemos que Deus é senhor dos seus dons; e a conversão dos homens é graça. Mas somos responsáveis pelo anúncio da fé, da totalidade da fé, e das suas exigências. Queridos amigos, imitemos o Cura d’Ars que assim rezava ao bom Deus: «Concedei-me a conversão da minha paróquia, e eu estou pronto a sofrer o que Vós quiserdes, todo o resto da vida». E tudo fez para arrancar as pessoas à própria tibieza a fim de as reconduzir ao amor.
Há uma solidariedade profunda entre todos os membros do Corpo de Cristo: não é possível amá-Lo, sem amar os seus irmãos. Foi para a salvação deles que João Maria Vianney quis ser sacerdote: «Ganhar as almas para o Bom Deus», declarava ele ao anunciar a sua vocação, aos dezoito anos de idade, tal como Paulo dizia: «Ganhar a todos» (1 Cor 9, 19). O Vigário Geral tinha-lhe dito: «Não há muito amor de Deus na paróquia, vós introduzi-lo-eis». E, na sua paixão sacerdotal, o santo pároco era misericordioso como Jesus no encontro com cada pecador. Preferia insistir sobre o lado atraente da virtude, sobre a misericórdia de Deus diante da qual os nossos pecados são «grãos de areia». Mostrava a ternura de Deus ofendida. Temia que os sacerdotes «se insensibilizassem» e habituassem à indiferença dos seus fiéis: «Ai do Pastor – advertia – que fica calado ao ver Deus ultrajado e as almas perderem-se!»
Amados irmãos sacerdotes, neste lugar que Maria fez tão especial, tendo diante dos olhos a sua vocação de discípula fiel do Filho Jesus desde a sua conceição até à Cruz e depois no caminho da Igreja nascente, considerai a graça inaudita do vosso sacerdócio. A fidelidade à própria vocação exige coragem e confiança, mas o Senhor quer também que saibais unir as vossas forças; sede solícitos uns pelos outros, sustentando-vos fraternalmente. Os momentos de oração e estudo em comum, de partilha das exigências da vida e trabalho sacerdotal são uma parte necessária da vossa vida. Como é maravilhoso quando vos acolheis uns aos outros nas vossas casas, com a paz de Cristo nos vossos corações! Como é importante que vos ajudeis mutuamente por meio da oração e com conselhos e discernimentos úteis! Particular atenção vos devem merecer as situações de um certo esmorecimento dos ideais sacerdotais ou a dedicação a actividades que não concordem integralmente com o que é próprio de um ministro de Jesus Cristo. Então é hora de assumir, juntamente com o calor da fraternidade, a atitude firme do irmão que ajuda seu irmão a manter-se de pé.
Embora o sacerdócio de Cristo seja eterno (cf. Heb 5, 6), a vida dos sacerdotes é limitada. Cristo quer que outros perpetuem ao longo dos tempos o sacerdócio ministerial por Ele instituído. Por isso mantende, dentro de vós e ao vosso redor, a inquietude por suscitar – secundando a graça do Espírito Santo – novas vocações
sacerdotais entre os fiéis. A oração confiante e perseverante, o amor jubiloso à própria vocação e um dedicado trabalho de direcção espiritual permitir-vos-ão discernir o carisma vocacional naqueles que são chamados por Deus.
A vós, queridos seminaristas, que já destes o primeiro passo para o sacerdócio e estais a preparar-vos no Seminário Maior ou nas Casas de Formação Religiosa, o Papa encoraja-vos a serdes conscientes da grande responsabilidade que ides assumir: examinai bem as intenções e as motivações; dedicai-vos com ânimo forte e espírito generoso à vossa formação. A Eucaristia, centro da vida do cristão e escola de humildade e serviço, deve ser o objecto principal do vosso amor. A adoração, a piedade e o cuidado do Santíssimo Sacramento, durante estes anos de preparação, farão com que um dia celebreis o Sacrifício do Altar com unção edificante e verdadeira.
Neste caminho de fidelidade, amados sacerdotes e diáconos, consagrados e consagradas, seminaristas e leigos comprometidos, guia-nos e acompanha-nos a Bem-aventurada Virgem Maria. Com Ela e como Ela somos livres para ser santos; livres para ser pobres, castos e obedientes; livres para todos, porque desapegados de tudo; livres de nós mesmos para que em cada um cresça Cristo, o verdadeiro consagrado do Pai e o Pastor ao qual os sacerdotes emprestam voz e gestos, de Quem são presença; livres para levar à sociedade actual Jesus Cristo morto e ressuscitado, que permanece connosco até ao fim dos séculos e a todos Se dá na Santíssima Eucaristia.

12 maio 2010

Homília do Santo Padre no Terreiro do Paço


Queridos Irmãos e Irmãs, Jovens amigos!
«Ide fazer discípulos de todas as nações, […] ensinai-lhes a cumprir tudo quanto vos mandei. E Eu estou sempre convosco, até ao fim dos tempos» (Mt 28, 20). Estas palavras de Cristo ressuscitado revestem-se de um significado particular nesta cidade de Lisboa, donde partiram em grande número gerações e gerações de cristãos – bispos, sacerdotes, consagrados e leigos, homens e mulheres, jovens e menos jovens –, obedecendo ao apelo do Senhor e armados simplesmente com esta certeza que lhes deixou: «Eu estou sempre convosco». Glorioso é o lugar conquistado por Portugal entre as nações pelo serviço prestado à dilatação da fé: nas cinco partes do mundo, há Igrejas locais que tiveram origem na missionação portuguesa.
Nos tempos passados, a vossa saída em demanda de outros povos não impediu nem destruiu os vínculos com o que éreis e acreditáveis, mas, com sabedoria cristã, pudestes transplantar experiências e particularidades abrindo-vos ao contributo dos outros para serdes vós próprios, em aparente debilidade que é força. Hoje, participando na edificação da Comunidade Europeia, levai o contributo da vossa identidade cultural e religiosa. De facto, Jesus Cristo, assim como Se uniu aos discípulos a caminho de Emaús, assim também caminha connosco segundo a sua promessa: «Estou sempre convosco, até ao fim dos tempos». Apesar de ser diferente da dos Apóstolos, temos também nós uma verdadeira e pessoal experiência da presença do Senhor ressuscitado. A distância dos séculos é superada e o Ressuscitado oferece-Se vivo e operante, por nós, no hoje da Igreja e do mundo. Esta é a nossa grande alegria. No rio vivo da Tradição eclesial, Cristo não está a dois mil anos de distância, mas está realmente presente entre nós e dá-nos a Verdade, dá-nos a luz que nos faz viver e encontrar a estrada para o futuro.
Presente na sua Palavra, na assembleia do Povo de Deus com os seus Pastores e, de modo eminente, no sacramento do seu Corpo e do seu Sangue, Jesus está connosco aqui. Saúdo o Senhor Cardeal-Patriarca de Lisboa, a quem agradeço as calorosas palavras que me dirigiu, no início da celebração, em nome da sua comunidade que me acolhe e que abraço nos seus quase dois milhões de filhos e filhas; a todos vós aqui presentes – amados Irmãos no episcopado e no sacerdócio, prezadas mulheres e homens consagrados e leigos comprometidos, queridas famílias e jovens, baptizados e catecúmenos – dirijo a minha saudação fraterna e amiga, que estendo a quantos estão unidos connosco através da rádio e da televisão.
Sentidamente agradeço a presença do Senhor Presidente da República e demais Autoridades, com menção particular do Presidente da Câmara de Lisboa que teve a amabilidade de honrar-me com a entrega das chaves da cidade.
Lisboa amiga, porto e abrigo de tantas esperanças que te confiava quem partia e pretendia quem te visitava, gostava hoje de usar as chaves que me entregas para alicerçar as tuas esperanças humanas na Esperança divina. Na leitura há pouco proclamada da Epístola de São Pedro, ouvimos dizer: «Eu vou pôr em Sião uma pedra angular, escolhida e preciosa. E quem nela acreditar não será confundido». E o Apóstolo explica: «Aproximai-vos do Senhor. Ele é a pedra viva, rejeitada, é certo, pelos homens, mas aos olhos de Deus escolhida e preciosa» (1 Pd 2, 6.4).
Irmãos e irmãs, quem acreditar em Jesus não será confundido: é Palavra de Deus, que não Se engana
nem pode enganar. Palavra confirmada por uma «multidão que ninguém pode contar e provém de todas as nações, tribos, povos e línguas», e que o autor do Apocalipse viu vestida de «túnicas brancas e com palmas na mão» (Ap 7, 9). Nesta multidão incontável, não estão apenas os Santos Veríssimo, Máxima e Júlia, aqui martirizados na perseguição de Diocleciano, ou São Vicente, diácono e mártir, padroeiro principal do Patriarcado; Santo António e São João de Brito que daqui partiram para semear a boa semente de Deus noutras terras e gentes, ou São Nuno de Santa Maria que, há pouco mais de um ano, inscrevi no livro dos Santos. Mas é formada pelos «servos do nosso Deus» de todos os tempos e lugares, em cuja fronte foi traçado o sinal da cruz com «o sinete de marcar do Deus vivo» (Ap 7, 2): o Espírito Santo. Trata-se do rito inicial cumprido sobre cada um de nós no sacramento do Baptismo, pelo qual a Igreja dá à luz os «santos».
Sabemos que não lhe faltam filhos insubmissos e até rebeldes, mas é nos Santos que a Igreja reconhece os seus traços característicos e, precisamente neles, saboreia a sua alegria mais profunda. Irmana-os, a todos, a vontade de encarnar na sua existência o Evangelho, sob o impulso do eterno animador do Povo de Deus que é o Espírito Santo. Fixando os seus Santos, esta Igreja local concluiu justamente que a prioridade pastoral hoje é fazer de cada mulher e homem cristão uma presença irradiante da perspectiva evangélica no meio do mundo, na família, na cultura, na economia, na política. Muitas vezes preocupamo-nos afanosamente com as consequências sociais, culturais e políticas da fé, dando por suposto que a fé existe, o que é cada vez menos realista. Colocou-se uma confiança talvez excessiva nas estruturas e nos programas eclesiais, na distribuição de poderes e funções; mas que acontece se o sal se tornar insípido?
Para isso é preciso voltar a anunciar com vigor e alegria o acontecimento da morte e ressurreição de Cristo, coração do cristianismo, fulcro e sustentáculo da nossa fé, alavanca poderosa das nossas certezas, vento impetuoso que varre qualquer medo e indecisão, qualquer dúvida e cálculo humano. A ressurreição de Cristo assegura-nos que nenhuma força adversa poderá jamais destruir a Igreja. Portanto a nossa fé tem fundamento, mas é preciso que esta fé se torne vida em cada um de nós. Assim há um vasto esforço capilar a fazer para que cada cristão se transforme em testemunha capaz de dar conta a todos e sempre da esperança que o anima (cf. 1 Pd 3, 15): só Cristo pode satisfazer plenamente os anseios profundos de cada coração humano e responder às suas questões mais inquietantes acerca do sofrimento, da injustiça e do mal, sobre a morte e a vida do Além.
Queridos Irmãos e jovens amigos, Cristo está sempre connosco e caminha sempre com a sua Igreja, acompanha-a e guarda-a, como Ele nos disse: «Eu estou sempre convosco, até ao fim dos tempos» (Mt 28, 20). Nunca duvideis da sua presença! Procurai sempre o Senhor Jesus, crescei na amizade com Ele, comungai-O. Aprendei a ouvir e a conhecer a sua palavra e também a reconhecê-Lo nos pobres. Vivei a vossa vida com alegria e entusiasmo, certos da sua presença e da sua amizade gratuita, generosa, fiel até à morte de cruz. Testemunhai a alegria desta sua presença forte e suave a todos, a começar pelos da vossa idade. Dizei-lhes que é belo ser amigo de Jesus e que vale a pena segui-Lo. Com o vosso entusiasmo, mostrai que, entre tantos modos de viver que hoje o mundo parece oferecer-nos – todos aparentemente do mesmo nível –, só seguindo Jesus é que se encontra o verdadeiro sentido da vida e, consequentemente, a alegria verdadeira e duradoura.
Buscai diariamente a protecção de Maria, a Mãe do Senhor e espelho de toda a santidade. Ela, a Toda Santa, ajudar-vos-á a ser fiéis discípulos do seu Filho Jesus Cristo.