freguesia de Vila Fernando | Arciprestado do Rochoso | Diocese da Guarda
22 fevereiro 2010
19 fevereiro 2010
Mensagem de Bento XVI para a QUARESMA 2010

A justiça de Deus está manifestada mediante a fé em Jesus Cristo (cfr Rom 3, 21–22)
Queridos irmãos e irmãs,
Todos os anos, por ocasião da Quaresma, a Igreja convida-nos a uma revisão sincera da nossa vida à luz dos ensinamentos evangélicos. Este ano desejaria propor-vos algumas reflexões sobre o tema vasto da justiça, partindo da afirmação Paulina: A justiça de Deus está manifestada mediante a fé em Jesus Cristo (cfr Rom 3,21–22).
Justiça: “dare cuique suum”
Detenho-me em primeiro lugar sobre o significado da palavra “justiça” que na linguagem comum implica “dar a cada um o que é seu – dare cuique suum”, segundo a conhecida expressão de Ulpiano, jurista romano do século III. Porém, na realidade, tal definição clássica não precisa em que é que consiste aquele “suo” que se deve assegurar a cada um. Aquilo de que o homem mais precisa não lhe pode ser garantido por lei. Para gozar de uma existência em plenitude, precisa de algo mais íntimo que lhe pode ser concedido somente gratuitamente: poderíamos dizer que o homem vive daquele amor que só Deus lhe pode comunicar, tendo-o criado à sua imagem e semelhança. São certamente úteis e necessários os bens materiais – no fim de contas o próprio Jesus se preocupou com a cura dos doentes, em matar a fome das multidões que o seguiam e certamente condena a indiferença que também hoje condena à morte centenas de milhões de seres humanos por falta de alimentos, de água e de medicamentos -, mas a justiça distributiva não restitui ao ser humano todo o “suo” que lhe é devido. Mais do que o pão ele de facto precisa de Deus. Nota Santo Agostinho: se “a justiça é a virtude que distribui a cada um o que é seu… não é justiça do homem aquela que subtrai o homem ao verdadeiro Deus” (De civitate Dei, XIX, 21).
De onde vem a injustiça?
O evangelista Marcos refere as seguintes palavras de Jesus, que se inserem no debate de então acerca do que é puro e impuro: “Nada há fora do homem que, entrando nele, o possa tornar impuro. Mas o que sai do homem, isso é que o torna impuro. Porque é do interior do coração dos homens, que saem os maus pensamentos” (Mc 7,14-15.20-21). Para além da questão imediata relativa ao alimento, podemos entrever nas reacções dos fariseus uma tentação permanente do homem: individuar a origem do mal numa causa exterior. Muitas das ideologias modernas, a bem ver, têm este pressuposto: visto que a injustiça vem “de fora”, para que reine a justiça é suficiente remover as causas externas que impedem a sua actuação: Esta maneira de pensar - admoesta Jesus – é ingénua e míope. A injustiça, fruto do mal, não tem raízes exclusivamente externas; tem origem no coração do homem, onde se encontram os germes de uma misteriosa conivência com o mal. Reconhece-o com amargura o Salmista: “Eis que eu nasci na culpa, e a minha mãe concebeu-se no pecado” (Sl 51,7). Sim, o homem torna-se frágil por um impulso profundo, que o mortifica na capacidade de entrar em comunhão com o outro. Aberto por natureza ao fluxo livre da partilha, adverte dentro de si uma força de gravidade estranha que o leva a dobrar-se sobre si mesmo, a afirmar-se acima e contra os outros: é o egoísmo, consequência do pecado original. Adão e Eva, seduzidos pela mentira de Satanás, colhendo o fruto misterioso contra a vontade divina, substituíram à lógica de confiar no Amor aquela da suspeita e da competição; à lógica do receber, da espera confiante do Outro, aquela ansiosa do agarrar, do fazer sozinho (cfr Gn 3,1-6) experimentando como resultado uma sensação de inquietação e de incerteza. Como pode o homem libertar-se deste impulso egoísta e abrir-se ao amor?
Justiça e Sedaqah
No coração da sabedoria de Israel encontramos um laço profundo entre fé em Deus que “levanta do pó o indigente (Sl 113,7) e justiça em relação ao próximo. A própria palavra com a qual em hebraico se indica a virtude da justiça, sedaqah, exprime-o bem. De facto sedaqah significa, de um lado a aceitação plena da vontade do Deus de Israel; do outro, equidade em relação ao próximo (cfr Ex 29,12-17), de maneira especial ao pobre, ao estrangeiro, ao órfão e à viúva (cfr Dt 10,18-19). Mas os dois significados estão ligados, porque o dar ao pobre, para o israelita nada mais é senão a retribuição que se deve a Deus, que teve piedade da miséria do seu povo. Não é por acaso que o dom das tábuas da Lei a Moisés, no monte Sinai, se verifica depois da passagem do Mar Vermelho. Isto é, a escuta da Lei, pressupõe a fé no Deus que foi o primeiro a ouvir o lamento do seu povo e desceu para o libertar do poder do Egipto (cfr Ex s,8). Deus está atento ao grito do pobre e em resposta pede para ser ouvido: pede justiça para o pobre (cfr Ecli 4,4-5.8-9), o estrangeiro (cfr Ex 22,20), o escravo (cfr Dt 15,12-18). Para entrar na justiça é portanto necessário sair daquela ilusão de auto-suficiência, daquele estado profundo de fecho, que é a própria origem da injustiça. Por outras palavras, é necessário um “êxodo” mais profundo do que aquele que Deus efectuou com Moisés, uma libertação do coração, que a palavra da Lei, sozinha, é impotente para a realizar. Existe portanto para o homem esperança de justiça?
Cristo, justiça de Deus
O anúncio cristão responde positivamente à sede de justiça do homem, como afirma o apóstolo Paulo na Carta aos Romanos: “ Mas agora, é sem a lei que está manifestada a justiça de Deus… mediante a fé em Jesus Cristo, para todos os crentes. De facto não há distinção, porque todos pecaram e estão privados da glória de Deus, sendo justificados gratuitamente pela Sua graça, por meio da redenção que se realiza em Jesus Cristo, que Deus apresentou como vítima de propiciação pelo Seu próprio sangue, mediante a fé” (3,21-25)
Qual é portanto a justiça de Cristo? É antes de mais a justiça que vem da graça, onde não é o homem que repara, que cura si mesmo e os outros. O facto de que a “expiação” se verifique no “sangue” de Jesus significa que não são os sacrifícios do homem a libertá-lo do peso das suas culpas, mas o gesto do amor de Deus que se abre até ao extremo, até fazer passar em si “ a maldição” que toca ao homem, para lhe transmitir em troca a “bênção” que toca a Deus (cfr Gal 3,13-14). Mas isto levanta imediatamente uma objecção: que justiça existe lá, onde o justo morre pelo culpado e o culpado recebe em troca a bênção que toca ao justo? Desta maneira, cada um não recebe o contrário do que é “seu”? Na realidade, aqui manifesta-se a justiça divina, profundamente diferente da justiça humana. Deus pagou por nós no seu Filho o preço do resgate, um preço verdadeiramente exorbitante. Perante a justiça da Cruz o homem pode revoltar-se, porque ele põe em evidência que o homem não é um ser autárquico, mas precisa de um Outro para ser plenamente si mesmo. Converter-se a Cristo, acreditar no Evangelho, no fundo significa precisamente isto: sair da ilusão da auto-suficiência para descobrir e aceitar a própria indigência – indigência dos outros e de Deus, exigência do seu perdão e da sua amizade.
Compreende-se então como a fé não é um facto natural, cómodo, óbvio: é necessário humildade para aceitar que se precisa que um Outro me liberte do “meu”, para me dar gratuitamente o “seu”. Isto acontece particularmente nos sacramentos da Penitência e da Eucaristia. Graças à acção de Cristo, nós podemos entrar na justiça “ maior”, que é a do amor (cfr Rom 13,8-10), a justiça de quem se sente em todo o caso sempre mais devedor do que credor, porque recebeu mais do que aquilo que poderia esperar.
Precisamente fortalecido por esta experiência, o cristão é levado a contribuir para a formação de sociedades justas, onde todos recebem o necessário para viver segundo a própria dignidade de homem e onde a justiça é vivificada pelo amor.
Queridos irmãos e irmãs, a Quaresma culmina no Tríduo Pascal, no qual também este ano celebraremos a justiça divina, que é plenitude de caridade, de dom, de salvação. Que este tempo penitencial seja para cada cristão tempo de autêntica conversão e de conhecimento intenso do mistério de Cristo, que veio para realizar a justiça. Com estes sentimentos, a todos concedo de coração, a Bênção Apostólica.
Vaticano, 30 de Outubro de 2009
18 fevereiro 2010
QUARESMA 2010, Mensagem do Bispo da Guarda

Para viver a justiça na caridade
Vamos viver a Quaresma do ano 2010 integrada no Ano Sacerdotal.
A mensagem do Santo Padre Bento XVI para esta Quaresma convida-nos a abrir o nosso coração à Justiça de Deus revelada e oferecida na Pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Na prática corrente das leis e dos tribunais, a justiça concentra-se no esforço por dar a cada um o que lhe pertence, mas quase sempre se fica no domínio do que é material. Não podemos, porém esquecer que a realização dos seres humanos não depende apenas dos bens materiais. Pelo contrário, cada homem e cada mulher, como diz o Santo Padre na sua mensagem, “para gozar de uma existência em plenitude precisa de algo mais íntimo que lhe pode ser concedido só gratuitamente”. E esse algo mais é o amor que só Deus lhe pode comunicar e do qual, portanto, cada ser humano sempre depende. De facto, todos fazemos a experiência diária de nos sentirmos dependentes dos outros e, se prestarmos a devida atenção, sentiremos que essa dependência não é só dos outros, mas principalmente de Deus. Simultaneamente, fazemos uma outra experiência de sinal contrário que é o desejo desmedido de independência, de ter uma afirmação pessoal que nos ponha acima dos outros e, muitas vezes, contra eles, numa atitude de egoísmo, consequência do que costumamos chamar pecado original.
Este conflito existe, de facto, em cada um de nós e só será superado na medida da nossa coragem para escolher entre duas lógicas, que se confrontam. Uma delas é a da suspeita e da competição, a lógica do ter cada vez mais e do fazer sozinho ou exclusivamente para si próprio. A outra é a lógica do dom, da espera confiante no outro que há-de vir ao nosso encontro com o presente do amor.
Nós queremos escolher a lógica do dom e a partir dela organizar a nossa vida pessoal e comunitária. Nela se cumpre a justiça divina revelada e comunicada na pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo. É só na base da lógica do dom que nós podemos compreender e valorizar, neste Ano sacerdotal, o Ministério dos nossos padres oferecido à Igreja e, por ela, ao próprio mundo.
Também desejamos que esta Quaresma sirva para todos nos convertermos mais à mesma lógica do dom, numa intensa procura do verdadeiro rosto de Cristo; uma procura que queremos fazer principalmente através dos caminhos da oração pessoal e comunitária, litúrgica e mesmo não litúrgica, de acordo com as propostas que nos faz o Catecismo da Igreja Católica. Convidamos, por isso, cada Pároco e seu corpo de agentes pastorais a aproveitarem o tempo forte desta Quaresma para, através das orientações dadas no Catecismo da Igreja Católica e concretizadas pelo texto elaborado para a formação de adultos na nossa Diocese, progredirem juntos na experiência do encontro vivo e vital com Cristo.
E falando ainda de Justiça, não podemos deixar de reconhecer as dificuldades que a justiça das leis e dos tribunais, entre nós, está a sentir para garantir a legalidade e defender os legítimos direitos de todos. Temos de reconhecer que a justiça dos tribunais só pode cumprir a sua importante função se, antes demais, houver a coragem de promover entre os cidadãos uma verdadeira cultura de justiça, que supõe conjugação de esforços para a autêntica educação cívica e de valores. De outro modo – e os factos estão a confirmá-lo – será difícil garantir eficácia à nossa justiça, sujeita como está a toda a espécie de pressões e cada vez mais embrulhada em jogos de interesses.
A verdadeira justiça, completada pela caridade, leva-nos, de acordo com o espírito da Quaresma, a percorrer os caminhos da solidariedade e de partilha fraterna, mesmo que isso signifique renúncia a bens materiais; supérfluos ou mesmo não supérfluos.
Este ano vamos orientar o resultado da nossa renúncia quaresmal para ajuda material solidária a um projecto chamado “Fazenda da Esperança” que está a ser desenvolvido na nossa Diocese, na Paróquia de Maçal do Chão, arciprestado de Celorico da Beira. É um serviço já muito experimentado no Brasil, onde mereceu uma Visita do actual Papa Bento XVI e que se destina ao acolhimento e recuperação de pessoas atingidas por várias espécies de falta de esperança, incluindo situações de marginalidade.
Está em causa ajudar os mais pobres dos pobres também neste ano europeu de luta contra a pobreza e exclusão social.
26 janeiro 2010
Peregrinação Arciprestal 2010
15 janeiro 2010
Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos 2010 (continuação)
Edimburgo 2010
O centenário da Conferência Missionária, que aconteceu na cidade no século anterior, será comemorado em junho de 2010 (www.edinburgh2010.org). Os organizadores querem que esse evento seja um tempo de ação de graças pelo progresso que Deus tornou possível na missão. Eles também dedicaram um lugar importante à oração, para oferecer a Cristo o testemunho que as Igrejas terão de sustentar juntas durante o século 21.
Esse encontro também permitirá que aqueles que trabalham há longo tempo no campo da missão e os representantes de correntes mais novas partilhem suas perspectivas. Membros de diferentes tradições eclesiais também poderão discutir sua prática de missão.
O mundo mudou bastante desde 1910 e mais uma vez a missão deve ser pensada de modo renovado. Diante da secularização e da descristianização, dos novos meios de comunicação, das relações interconfessionais, do diálogo interreligioso, há muitos temas a serem discutidos. Todos podem concordar quanto à necessidade de os discípulos de Cristo darem testemunho, mas ainda é difícil chegar a uma compreensão comum do que a missão precisa ser hoje. Dentro de cada Igreja individualmente não faltam reflexões e debates. Tudo isso não poderia trazer mais benefícios se envolvesse todas as Igrejas numa reflexão conjunta?
1910- 2010: Os cristãos trazem no coração um senso de urgência bem semelhante: para nossa humanidade ferida pela divisão, o evangelho não é um luxo supérfluo; o evangelho não pode ser proclamado por vozes discordantes.
Em Cristo, os que se encontram cheios de ódio podem encontrar o caminho da reconciliação. Em Cristo, aqueles que se dividem por qualquer coisa podem encontrar a alegria de viver como irmãos e irmãs... Vós sois as testemunhas disso.
A preparação do material para a Semana de Oração
pela Unidade dos Cristãos 2010
O trabalho inicial que levou à publicação deste livreto foi realizado por um grupo ecumênico escocês reunido pela Ação de Igrejas Reunidas na Escócia (Action of Churches Together in Scotland – ACTS), a convite da Conferência dos bispos católicos. Particularmente queremos agradecer a todos os que contribuíram com esse trabalho:
— Sr. Andrew Barr (Igreja Episcopal da Escócia)
— Major Alan Dixon (Exército da Salvação)
— Rev. Carol Ford (Igreja da Escócia)
— Rev. Willie Mcfadden (Igreja Católica Romana)
— Rev. Lindsay Sanderson (ACTS – Igreja Reformada Unida)
Os textos aqui propostos foram finalizados durante o encontro do grupo internacional preparatório, nomeado pela Comissão Fé e Ordem do Conselho Mundial de Igrejas e pelo Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos. O grupo se encontrou no Scotus College em Glasgow, que é o seminário nacional católico romano da Escócia. Somos particularmente gratos ao reitor do Seminário, o próprio Rev. William McFadden, aos seminaristas e a toda a equipe de trabalho pela calorosa recepção, pela disponibilidade e pelo clima de oração com que acompanharam nosso trabalho. Finalmente, temos uma especial palavra de agradecimento a Rev. Lindsay Sanderson ( Assistente Geral de Secretaria da ACTS) por ter revisado os textos junto com o Rev. McFadden, pelas ocasiões de oração comum e pelas partilhas organizadas com representantes de várias Igrejas cristãs da Escócia, bem como pela preparação geral do encontro.
14 janeiro 2010
Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos 2010 (cont.)
Durante o século passado a reconciliação entre os cristãos tomou formas bastante diferentes. A espiritualidade ecumênica mostrou como a oração é importante para a unidade dos cristãos. Grande impulso foi dado à pesquisa teológica, levando a um grande número de acordos doutrinários. A cooperação prática entre as Igrejas no campo social fez nascer frutuosas iniciativas. Junto com essas conquistas mais amplas, a questão da missão assumiu um lugar especial. Há até um consenso generalizado de que a Conferência Missionária Mundial de Edimburgo, em 1910, marcou o começo do movimento ecumênico moderno.
Missão e Unidade
Nem todos fazem naturalmente a ligação entre o empenho missionário e desejo da unidade cristã. Ainda assim, o compromisso missionário da Igreja deve caminhar passo a passo com seu compromisso ecumênico. Por causa do nosso Batismo já somos um único corpo e somos chamados a viver em comunhão. Deus nos fez irmãos e irmãs em Cristo. Não é esse o testemunho fundamental a que somos chamados?
Historicamente, o fato de que a questão da unidade cristã era frequentemente abordada por missionários se deve a razões práticas. Acontecia desse jeito simplesmente para evitar competição diante da necessidade de grandes recursos humanos e materiais. O território a ser evangelizado era partilhado e tentativas ocasionais eram feitas para realizar algo mais do que ter atividades desenvolvidas paralelamente e para favorecer projetos comuns. Missionários de Igrejas diferentes poderiam, por exemplo, combinar seus recursos para elaborar uma nova tradução da Bíblia e essa cooperação a serviço da Palavra de Deus levou a reflexões sobre as divisões entre os cristãos.
Sem negar as rivalidades existentes entre missionários enviados por Igrejas diferentes, deve também ser reconhecido que aqueles que estiveram primeiro no campo da missão foram também os primeiros a reconhecer a tragédia da divisão dos cristãos. A Europa havia se acostumado às divisões entre Igrejas mas o escândalo da desunião parecia terrível aos missionários que estavam anunciando o evangelho a pessoas que nada sabiam sobre Cristo até então. É claro que as diferentes divisões que marcaram a história do Cristianismo tiveram suas razões teológicas, mas também foram influenciadas pelo contexto (histórico, político, intelectual...) que lhes deu origem. Seria justificado exportar essas divisões para os povos que estavam descobrindo Cristo?
No meio do novo caminho que as recentes Igrejas locais estavam descobrindo, seria difícil deixar de notar a lacuna entre a mensagem de amor que queriam viver e a real separação entre os discípulos de Cristo.Como se pode fazer outros entenderem a reconciliação trazida por Cristo se os próprios batizados se ignoram ou lutam entre si? Como grupos cristãos que viviam em mútua hostilidade poderiam pregar um único Senhor, uma só fé e um só Batismo de modo convincente?
Não havia, portanto, falta de questões ecumênicas para os participantes da Conferência de Edimburgo em 1910.
A Conferência Missionária de Edimburgo, em 1910
Os delegados oficiais das sociedades missionárias protestantes de diferentes ramos do protestantismo e do anglicanismo, junto com um convidado ortodoxo, se encontraram durante o verão de 1910 na capital da Escócia. A Conferência, que não era um encontro de caráter decisório, não tinha outro objetivo senão ajudar os missionários a construir um espírito comum e coordenar seu trabalho.
Somente estavam presentes aquelas sociedades missionárias que trabalhavam para anunciar o evangelho em novos territórios onde Cristo ainda não era conhecido. Assim, as sociedades que trabalhavam na América Latina ou no Oriente Médio, onde já estavam a Igreja Católica Romana e as Igrejas Ortodoxas, não foram convidadas.
Em 1910 o panorama religioso escocês estava começando a se diversificar e as Igrejas Católica e Episcopal mais uma vez desempenharam um papel importante. Edimburgo foi escolhida como local desse encontro por causa de sua vitalidade intelectual e cultural. A reputação de seus teólogos e líderes eclesiais também influenciou a escolha. As Igrejas protestantes escocesas eram também especialmente ativas na missão e tinham fama de prestar atenção às culturas locais.
As igrejas cristãs na Escócia hoje
Reconhecendo esse importante marco na história do movimento ecumênico, era natural que os promotores da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos – a Comissão Fé e Ordem e o Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos – convidassem as Igrejas escocesas para preparar a Semana de Oração de 2010 , ao mesmo tempo em que elas estão envolvidas nos preparativos para celebrar o aniversário da Conferência de 1910 , que terá como tema “Testemunhar Cristo Hoje”. Em resposta, essas Igrejas sugeriram como lema “Vós sois as testemunhas disso” (Lucas 24,48)
09 janeiro 2010
Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos 2010
Os oito dias
Durante a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos de 2010, vamos refletir a cada dia sobre o capítulo 24 do evangelho de Lucas, olhando as perguntas que ele nos apresenta: perguntas de Jesus aos discípulos; perguntas que os discípulos fazem a Jesus.
Cada um desses questionamentos nos possibilitará destacar um modo particular de testemunhar o Ressuscitado. Cada um deles nos convida a pensar sobre nossa situação de divisão eclesial e sobre como, concretamente, podemos remediar isso. Já somos testemunhas e precisamos nos tornar testemunhas melhores. Como?
— louvando Aquele que nos dá o dom da vida e a ressurreição (dia 1)
— sabendo partilhar com outros a história de nossa fé (dia 2)
— reconhecendo que Deus age em nossas vidas (dia 3)
— dando graças pela fé que temos recebido (dia 4)
— confessando a vitória de Cristo sobre todo sofrimento (dia 5)
— buscando sempre ser mais fiéis à Palavra de Deus (dia 6)
— crescendo na fé, na esperança e na caridade (dia 7)
— oferecendo hospitalidade e sabendo recebê-la quando nos é oferecida (dia 8)
Não seria bem mais fiel o nosso testemunho do evangelho em cada um desses aspectos se testemunhássemos juntos?
08 janeiro 2010
Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos 2010

O tema bíblico:
“Vós sois as testemunhas disso”
No movimento ecumênico temos frequentemente meditado sobre o discurso final de Jesus antes da sua morte. Nesse testamento final a importância da unidade dos discípulos de Cristo é enfatizada: “Que todos sejam um... para que o mundo creia” (João 17,21)
Este ano as Igrejas da Escócia fizeram a escolha original de nos convidar a escutar o discurso final de Cristo antes da sua Ascensão: “É como foi escrito: o Cristo sofrerá e ressuscitará dos mortos no terceiro dia, e em seu nome se pregará a conversão e o perdão dos pecados a todas as nações, a começar por Jerusalém. E vós sois as testemunhas disso.” (Lucas 24,46-48). É sobre essas palavras finais de Cristo que refletiremos a cada dia.
Durante a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos de 2010, somos também convidados a percorrer todo o capítulo 24 do evangelho de Lucas. Tanto as mulheres assustadas diante do túmulo, como os dois desanimados discípulos no caminho de Emaús ou os onze discípulos dominados por dúvida e medo, todos os que juntos encontram o Cristo Ressuscitado são enviados em missão: “E vois sois as testemunhas disso”. Essa missão da Igreja é dada por Cristo e não pode ser posse particular de ninguém. É a comunidade dos que foram reconciliados com Deus e em Deus e podem testemunhar a verdade do poder da salvação em Jesus Cristo.
Percebemos que Maria Madalena, Pedro ou os dois discípulos de Emaús não vão testemunhar do mesmo jeito. Ainda assim, será a vitória de Jesus sobre a morte que todos colocarão no coração de seu testemunho.O encontro pessoal com o Ressuscitado mudou radicalmente suas vidas e, na originalidade de cada um, uma coisa se torna imperativa: “Vós sois as testemunhas disso.” Sua história vai acentuar aspectos diferentes, às vezes podem ocorrer entre eles discordâncias sobre o que a fidelidade a Cristo exige, mas ainda assim todos irão trabalhar para anunciar a Boa Nova.
06 janeiro 2010
Nova data para o Curso de Iniciação para Catequistas
Departamento da Educação Cristã da Infância e Adolescência
é comunicada uma alteração das datas
do Curso de Iniciação para Catequistas.
Assim, a nova data é:
dias 20, 21 e 27 de Fevereiro no Sabugal.
Esta alteração deve-se à ponderação por parte daqueles que irão acolher a realização desta iniciativa.
05 janeiro 2010
Esta foi a homilia do Bispo da Guarda no Dia Mundial da Paz

Hoje cumpre-se a 43ª edição do Dia Mundial da Paz.
Na sua mensagem para este dia, o Santo Padre Bento XVI convida-nos a reflectir sobre o respeito que devemos a toda a criação para que a paz seja possível. E este convite chega a todos nós, quando estamos ainda sob os efeitos da desilusão provocada pela cimeira de Copenhaga, onde os senhores do mundo não foram capazes de se entender sobre opções básicas a fazer para garantir a sustentabilidade da natureza e consequentemente o futuro da Humanidade. Os interesses imediatos sobretudo dos países mais desenvolvidos sobrepuseram-se ao Bem Comum da Humanidade. É neste contexto que ganham novo vigor as recomendações e os apelos do Papa na sua mensagem para este dia.
De facto, ninguém pode ficar indiferente perante os dramas humanos derivados das alterações climáticas, da desertificação, com perda de vastas áreas agrícolas, assim como da poluição dos rios e de importantes lençóis de água.
Por sua vez, este e outros dramas afins colocam-nos a seguinte pergunta de fundo: Afinal o que é verdadeiramente desenvolvimento? Será desenvolvimento promover, a qualquer preço, o consumo desenfreado dos recursos naturais? Poder-se-á desligar o bem físico da pessoa do seu bem espiritual e de relação seja com as outras pessoas seja com a própria natureza? A Mensagem do Papa XVI apela a uma revisão profunda do modelo de desenvolvimento que nos está a ser proposto; apela à própria economia para que repense os seus objectivos e seja capaz de corrigir as disfunções e deturpações que, em muitos casos, tem levado à vida das pessoas; apela à consciência de pessoas e grupos para que levem a sério a crise cultural e moral do ser humano na actualidade, cujos sintomas há muito se manifestam por toda a parte.
De facto, e este parece ser o pano de fundo de toda a mensagem, não pode desligar-se a ecologia da natureza da ecologia humana. Por outras palavras, o respeito pela natureza depende, em larga escala, dos valores morais assumidos ou não pelos seres humanos; por sua vez, quando a natureza não é respeitada a consequência são os sinais da sua relativa vingança, que todos conhecemos, com repercussão negativa na vida dos seres humanos. Entre os valores morais que mais determinam a prática equilibrada da relação com a natureza e do legítimo aproveitamento dos seus recursos, o Papa sublinha sobretudo dois: a sobriedade e a solidariedade. Com a sobriedade quer-se dizer que temos de modificar os nossos hábitos de consumo, temos de aceitar que precisamos de consumir menos do que estamos a consumir para não esgotarmos os recursos da natureza. Com o valor da solidariedade, queremos levar a sério o princípio de que Deus criou os recursos naturais para todos os seres humanos, aqueles que hoje vivemos e também para as gerações futuras. Temos, assim, a obrigação moral de praticar a solidariedade com todos os homens e mulheres da geração actual, a começar pelos mais pobres, mas também com as gerações futuras.
E o Papa não foge às dificuldades inerentes à aplicação concreta dos dois princípios morais enunciados. Selecciona, por isso, duas áreas especialmente sensíveis para a programação do futuro das nossas sociedades. Uma delas são as energias renováveis e a gestão da água; a outra é a importância para o desenvolvimento sustentado e equilibrado que continua a ter a agricultura e o mundo rural. Sobre este último ponto faz as seguintes recomendações, que se aplicam, a título especial, aos nossos ambientes, de facto, em processo acelerado de relativa desertificação. Diz ele: “Devem procurar-se apropriadas estratégias de desenvolvimento rural centradas nos pequenos cultivadores e nas suas famílias, sendo necessário também elaborar políticas idóneas para a gestão das florestas... Para isso são necessárias políticas nacionais ambiciosas... que trarão importantes benefícios sobretudo a médio e a longo prazo”.
Quando entre nós se continua a verificar o processo de desactivação das grandes empresas que colocam no desemprego centenas e centenas de pessoas, temos legitimidade para exigir, neste momento, as tais políticas nacionais ambiciosas a que se refere o Papa. Elas passam principalmente pela criação de condições que possam mobilizar as pessoas para iniciativas capazes de aproveitar, de facto, os recursos que temos nos nossos ambientes.
Esperamos que o Ano Europeu de luta contra a pobreza e a exclusão social, que hoje mesmo se inicia, seja realmente vivido por todos nós na procura de soluções inovadoras capazes de entusiasmar também os que são pobres na luta contra a pobreza.
+Manuel Felício, Bispo da Guarda
Esta foi a Mensagem de Natal do bispo da Guarda

D. Manuel da Rocha Felício, Bispo da Guarda
21 dezembro 2009
Afinal, sempre há lugar na estalagem
Era uma noite fria e com muito vento em Nairobi, no Quénia. Os aguaceiros de chuva tropical não paravam de cair desde a tarde. Num enorme bairro de lata perto do nosso hospital da Missão de Santa Maria, nasceu, em segredo, uma menina não desejada, que foi atirada para uma lixeira com um cheiro nauseabundo. Durante toda a noite, esta criança esteve exposta à chuva e ao frio. Na manhã seguinte, umas pessoas do mesmo bairro descobriram-na no meio do lixo e trouxeram-na para o hospital. Vinha roxa e com a pele enrugada devido à chuva. Estava tão fria que o termómetro não conseguiu registar a sua temperatura, e a respiração era bastante fraca.
As enfermeiras do hospital conseguiram trazer esta criança de volta à vida, utilizando garrafas de água quente para a aquecerem com suavidade, oxigénio, glicose e doses ilimitadas de amor. Tiraram-lhe da boca e dos ouvidos insectos que trouxera da lixeira. No dia seguinte, a menina começou a ser alimentada a biberão. Foi-lhe dado o nome de Hazina (que significa “Tesouro” na língua suahili) e, agora, esta robusta criança reside numa enfermaria recém-inaugurada no nosso hospital.
Agradecemos a Deus pela graça que ela representa para todos nós, enquanto Centro Católico de Prestação de Cuidados de Saúde aos Pobres.
Talvez esta criança nos tenha trazido uma mensagem de Natal sobre a qual devemos reflectir. Ao longo da nossa vida, cada um de nós deve corresponder ao amor que nos é oferecido pelos outros. Devemos também experimentar o amor vivificante de Cristo na nossa vida durante esta época especial e deixarmo-nos enriquecer interiormente por ele.
William Fryda
12 dezembro 2009
18 novembro 2009
Encontro de Evangelização na Guarda - Canção Nova
conheço as minhas ovelhas
e as minhas ovelhas conhecem-me»
(Jo 10, 14)
Centro Apostólico S. João de Oliveira Matos
Guarda
01 Dezembro 2009
09h00m-19h00m
09h00m - Acolhimento
09h45m - Ensinamento
10h45m - Intervalo
11h15m - Adoração
12h30m - Almoço
14h15m - Cânticos de Louvor
14h45m - Terço da Misericórdia
15h15m - Ensinamento
16h15m - Intervalo
16h45m - Oração
17h30m - Preparação para a Santa Missa
18h00m - Santa Missa
Contactos: 271 105 428 91 481 54 23 96 797 55 40
Celebração Arciprestal do Ano Sacerdotal
No passado Domingo, dia 15, o Arciprestado do Rochoso juntou as suas comunidades cristãs numa única celebração para marcar o Ano Sacerdotal, de modo particular, através da memória de todos os padres que já serviram as suas 21 comunidades até ao momento presente. Na sua totalidade foram 87 sacerdotes que desde 1910 estiveram ao serviço das paróquias deste arciprestado.
Às 15h30m já estavam cerca de cinco centenas de pessoas a preencher todos os espaços do Ginásio do Colégio do Rochoso. Nesta celebração, presidida pelo Bispo da Guarda, D. Manuel Felício lembrou no início da homilia que estavam ali reunidos “os colaboradores directos, não dos párocos, mas de Cristo” sendo esta colaboração “um chamamento do Mestre a colaborar na sua Obra. É uma colaboração diferente da minha, e dos vossos párocos, mas é colaboração dada a Cristo que nos chama para motivarmos o seu povo a percorrer os caminhos da história em direcção à meta que é o Reino de Deus.” Lembrando as palavras da Carta aos Hebreus o bispo da Guarda diz que ”Jesus vem-nos dizer que só há uma sacrifício que agrada a Deus que é a oferta da própria vida: ao Senhor para o louvar e aos irmãos para os servir.” Nas palavras finais da homília fala da importância de fazer memória daqueles que foram os párocos de todas as comunidades alguns que se encontravam na celebração e dos outros que já “partiram”, dando o agradecimento ao Senhor pelas suas vidas dedicadas às paróquias que lhes foram confiadas. Terminou a homilia fazendo memória das palavras do Santo Padre:” que nós padres sejamos cada dia mais padres, sendo mais padres segundo o coração de Cristo,… a vossa oração é fundamental para que isto aconteça. (…) Atenção especial à relação do ministério ordenado com os outros ministérios, pois o Senhor não entregou só a nós padres a condução e o serviço das comunidades, Ele entregou a responsabilidade de animar na fé estas comunidades a estes corpos de ministérios, e um corpo é uma realidade organizada que tem uma cabeça e que tem outros membros. O Senhor entregou a todos nós a responsabilidade de organizar as comunidades e por isso já lá vai o tempo em que o padre fazia tudo. A sua obrigação é liderar, acompanhar e ajudar o grupo dos que fazem a fazer sempre melhor para irem mais longe. (…) Este ano sacerdotal tem de ser um ano especial para a promoção das vocações sacerdotais. (…) Terminamos hoje a Semana dos Seminários e nela quisemos lembrar o espaço onde se preparam os futuros padres e o âmbito onde se lançam as propostas, se lançam as chamadas para engrossar o número dos candidatos. O Seminário tem de ser uma palavra viva, o espaço onde faz eco a Palavra de Deus para convidar, preparar e enviar quem há-de prestar este importante serviço do ministério ordenado. (…) Peço a bênção do Senhor para todos e cada um de vós e para as comunidades que representais, dou-lh’E graças pelos sacerdotes párocos que presidiram a estas paróquias ao longo dos últimos anos e convosco lhe dirijo uma prece para que nós padres estejamos à altura da responsabilidade do momento e sejamos cada vez mais padres segundo o coração de Cristo.”
Nas paredes do lugar da celebração estavam colocadas as listas, por paróquia, com o nome de todos os párocos até ao dia de hoje. No ofertório foram trazidos junto do altar os pergaminhos que lembram, por paróquia, os sacerdotes que já serviram o Arciprestado. A celebração terminou com a Consagração ao Sagrado Coração de Jesus.
14 novembro 2009
Magusto da catequese 2009




10 novembro 2009
Bispo da Guarda esteve com os agentes pastorais entregues ao Pe Ângelo

No âmbito do Ano Sacerdotal, D. Manuel Felício, está a visitar os párocos no seu lugar de residência para conhecer mais de perto a realidade local de cada um. Dialoga sobre o dia-a-dia, as inquietações e necessidades do padre, rezam em conjunto e fazem uma oração em cada uma das Igrejas Paroquiais. Foi o que bispo da Guarda fez na passada tarde de sexta-feira, dia 6 de Novembro, com o Pe Ângelo Martins. A Eucaristia da festa do novo Santo português, S. Nuno de Santa Maria, foi em Vila Fernando e muitos e muitas agentes pastorais também celebraram a memória do Santo. Após a celebração dirigiram-se para o Salão Paroquial de Vila Fernando onde D. Manuel Felício onde mais de nove dezenas de pessoas compuseram a assembleia (Comissões Fabriqueiras, Catequistas, Irmandades, Mordomias da Igreja e de festas, Grupos Corais,…). Por ser o aniversário natalício do Sr. Bispo todos lhe manifestaram pública e particularmente o seu carinho e afecto: na Eucaristia cantando Senhor, Tu fixaste os meus olhos, ternamente meu nome disseste, e após a reunião com os tradicionais parabéns.





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