
freguesia de Vila Fernando | Arciprestado do Rochoso | Diocese da Guarda
15 maio 2010
Homilia do Santo Padre - 13 Maio 2010, em Fátima

14 maio 2010
Palavras do Santo Padre na Celebração das Vésperas (12 Maio 2010)
«Ao chegar a plenitude dos tempos, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher […] para nos tornar seus filhos adoptivos» (Gal 4, 4.5). A plenitude dos tempos chegou, quando o Eterno irrompeu no tempo; por obra e graça do Espírito Santo, o Filho do Altíssimo foi concebido e fez-Se homem no seio de uma mulher: a Virgem Mãe, tipo e modelo excelso da Igreja crente. Esta não cessa de gerar novos filhos no Filho, que o Pai quis primogénito de muitos irmãos. Cada um de nós é chamado a ser, com Maria e como Maria, um sinal humilde e simples da Igreja que continuamente se oferece como esposa nas mãos do seu Senhor.12 maio 2010
Homília do Santo Padre no Terreiro do Paço

«Ide fazer discípulos de todas as nações, […] ensinai-lhes a cumprir tudo quanto vos mandei. E Eu estou sempre convosco, até ao fim dos tempos» (Mt 28, 20). Estas palavras de Cristo ressuscitado revestem-se de um significado particular nesta cidade de Lisboa, donde partiram em grande número gerações e gerações de cristãos – bispos, sacerdotes, consagrados e leigos, homens e mulheres, jovens e menos jovens –, obedecendo ao apelo do Senhor e armados simplesmente com esta certeza que lhes deixou: «Eu estou sempre convosco». Glorioso é o lugar conquistado por Portugal entre as nações pelo serviço prestado à dilatação da fé: nas cinco partes do mundo, há Igrejas locais que tiveram origem na missionação portuguesa.
Nos tempos passados, a vossa saída em demanda de outros povos não impediu nem destruiu os vínculos com o que éreis e acreditáveis, mas, com sabedoria cristã, pudestes transplantar experiências e particularidades abrindo-vos ao contributo dos outros para serdes vós próprios, em aparente debilidade que é força. Hoje, participando na edificação da Comunidade Europeia, levai o contributo da vossa identidade cultural e religiosa. De facto, Jesus Cristo, assim como Se uniu aos discípulos a caminho de Emaús, assim também caminha connosco segundo a sua promessa: «Estou sempre convosco, até ao fim dos tempos». Apesar de ser diferente da dos Apóstolos, temos também nós uma verdadeira e pessoal experiência da presença do Senhor ressuscitado. A distância dos séculos é superada e o Ressuscitado oferece-Se vivo e operante, por nós, no hoje da Igreja e do mundo. Esta é a nossa grande alegria. No rio vivo da Tradição eclesial, Cristo não está a dois mil anos de distância, mas está realmente presente entre nós e dá-nos a Verdade, dá-nos a luz que nos faz viver e encontrar a estrada para o futuro.
Presente na sua Palavra, na assembleia do Povo de Deus com os seus Pastores e, de modo eminente, no sacramento do seu Corpo e do seu Sangue, Jesus está connosco aqui. Saúdo o Senhor Cardeal-Patriarca de Lisboa, a quem agradeço as calorosas palavras que me dirigiu, no início da celebração, em nome da sua comunidade que me acolhe e que abraço nos seus quase dois milhões de filhos e filhas; a todos vós aqui presentes – amados Irmãos no episcopado e no sacerdócio, prezadas mulheres e homens consagrados e leigos comprometidos, queridas famílias e jovens, baptizados e catecúmenos – dirijo a minha saudação fraterna e amiga, que estendo a quantos estão unidos connosco através da rádio e da televisão.
Sentidamente agradeço a presença do Senhor Presidente da República e demais Autoridades, com menção particular do Presidente da Câmara de Lisboa que teve a amabilidade de honrar-me com a entrega das chaves da cidade.
Lisboa amiga, porto e abrigo de tantas esperanças que te confiava quem partia e pretendia quem te visitava, gostava hoje de usar as chaves que me entregas para alicerçar as tuas esperanças humanas na Esperança divina. Na leitura há pouco proclamada da Epístola de São Pedro, ouvimos dizer: «Eu vou pôr em Sião uma pedra angular, escolhida e preciosa. E quem nela acreditar não será confundido». E o Apóstolo explica: «Aproximai-vos do Senhor. Ele é a pedra viva, rejeitada, é certo, pelos homens, mas aos olhos de Deus escolhida e preciosa» (1 Pd 2, 6.4).
Irmãos e irmãs, quem acreditar em Jesus não será confundido: é Palavra de Deus, que não Se engana
nem pode enganar. Palavra confirmada por uma «multidão que ninguém pode contar e provém de todas as nações, tribos, povos e línguas», e que o autor do Apocalipse viu vestida de «túnicas brancas e com palmas na mão» (Ap 7, 9). Nesta multidão incontável, não estão apenas os Santos Veríssimo, Máxima e Júlia, aqui martirizados na perseguição de Diocleciano, ou São Vicente, diácono e mártir, padroeiro principal do Patriarcado; Santo António e São João de Brito que daqui partiram para semear a boa semente de Deus noutras terras e gentes, ou São Nuno de Santa Maria que, há pouco mais de um ano, inscrevi no livro dos Santos. Mas é formada pelos «servos do nosso Deus» de todos os tempos e lugares, em cuja fronte foi traçado o sinal da cruz com «o sinete de marcar do Deus vivo» (Ap 7, 2): o Espírito Santo. Trata-se do rito inicial cumprido sobre cada um de nós no sacramento do Baptismo, pelo qual a Igreja dá à luz os «santos».
Sabemos que não lhe faltam filhos insubmissos e até rebeldes, mas é nos Santos que a Igreja reconhece os seus traços característicos e, precisamente neles, saboreia a sua alegria mais profunda. Irmana-os, a todos, a vontade de encarnar na sua existência o Evangelho, sob o impulso do eterno animador do Povo de Deus que é o Espírito Santo. Fixando os seus Santos, esta Igreja local concluiu justamente que a prioridade pastoral hoje é fazer de cada mulher e homem cristão uma presença irradiante da perspectiva evangélica no meio do mundo, na família, na cultura, na economia, na política. Muitas vezes preocupamo-nos afanosamente com as consequências sociais, culturais e políticas da fé, dando por suposto que a fé existe, o que é cada vez menos realista. Colocou-se uma confiança talvez excessiva nas estruturas e nos programas eclesiais, na distribuição de poderes e funções; mas que acontece se o sal se tornar insípido?
Para isso é preciso voltar a anunciar com vigor e alegria o acontecimento da morte e ressurreição de Cristo, coração do cristianismo, fulcro e sustentáculo da nossa fé, alavanca poderosa das nossas certezas, vento impetuoso que varre qualquer medo e indecisão, qualquer dúvida e cálculo humano. A ressurreição de Cristo assegura-nos que nenhuma força adversa poderá jamais destruir a Igreja. Portanto a nossa fé tem fundamento, mas é preciso que esta fé se torne vida em cada um de nós. Assim há um vasto esforço capilar a fazer para que cada cristão se transforme em testemunha capaz de dar conta a todos e sempre da esperança que o anima (cf. 1 Pd 3, 15): só Cristo pode satisfazer plenamente os anseios profundos de cada coração humano e responder às suas questões mais inquietantes acerca do sofrimento, da injustiça e do mal, sobre a morte e a vida do Além.
11 maio 2010
Discurso do Santo Padre na sua chegada a Portugal
Senhor Presidente da República,
Ilustres Autoridades da Nação,
Venerados Irmãos no Episcopado,
Senhoras e Senhores!
Irmãos Bispos para visitar esta amada e antiga Nação, que comemora no corrente ano um século
da proclamação da República. Ao pisar o seu solo pela primeira vez desde que a Providência
divina me chamou à Sé de Pedro, sinto-me honrado e agradecido pela presença deferente e
acolhedora de todos vós. Agradeço-lhe, Senhor Presidente, as suas cordiais expressões de boasvindas,
independentemente da sua fé e religião, vai a minha saudação amiga, com um pensamento
particular para quantos não podem vir ao meu encontro. Venho como peregrino de Nossa
Senhora de Fátima, investido pelo Alto na missão de confirmar os meus irmãos que avançam na
sua peregrinação a caminho do Céu.
Logo aos alvores da nacionalidade, o povo português voltou-se para o Sucessor de Pedro
esperando na sua arbitragem para ver reconhecida a própria existência como Nação; mais tarde,
um meu Predecessor havia de honrar Portugal, na pessoa do seu Rei, com o título de fidelíssimo
(cf. Pio II, Bula Dum tuam, 25/I/1460), por altos e continuados serviços à causa do Evangelho.
Que depois, há 93 anos, o Céu se abrisse precisamente sobre Portugal – como uma janela de
esperança que Deus abre quando o homem lhe fecha a porta – para reatar, no seio da família
humana, os laços da solidariedade fraterna assente no mútuo reconhecimento de um só e mesmo
Pai, trata-se de um amoroso desígnio de Deus; não dependeu do Papa nem de qualquer outra
autoridade eclesial: «Não foi a Igreja que impôs Fátima – diria o Cardeal Manuel Cerejeira, de
veneranda memória –, mas Fátima que se impôs à Igreja».
Veio do Céu a Virgem Maria para nos recordar verdades do Evangelho que são para a
humanidade, fria de amor e desesperada de salvação, fonte de esperança. Naturalmente esta
esperança tem como dimensão primária e radical, não a relação horizontal, mas a vertical e
transcendente. A relação com Deus é constitutiva do ser humano: foi criado e ordenado para
Deus, procura a verdade na sua estrutura cognitiva, tende ao bem na esfera volitiva, é atraído
pela beleza na dimensão estética. A consciência é cristã na medida em que se abre à plenitude
da vida e da sabedoria, que temos em Jesus Cristo. A visita, que agora inicio sob o signo da
esperança, pretende ser uma proposta de sabedoria e de missão.
De uma visão sábia sobre a vida e sobre o mundo deriva o ordenamento justo da sociedade.
Situada na história, a Igreja está aberta a colaborar com quem não marginaliza nem privatiza a
essencial consideração do sentido humano da vida. Não se trata de um confronto ético entre um
sistema laico e um sistema religioso, mas de uma questão de sentido à qual se entrega a própria
liberdade. O que divide é o valor dado à problemática do sentido e a sua implicação na vida
pública. A viragem republicana, operada há cem anos em Portugal, abriu, na distinção entre
Igreja e Estado, um espaço novo de liberdade para a Igreja, que as duas Concordatas de 1940 e
2004 formalizariam, em contextos culturais e perspectivas eclesiais bem demarcados por rápida
mudança. Os sofrimentos causados pelas mutações foram enfrentados geralmente com coragem.
Viver na pluralidade de sistemas de valores e de quadros éticos exige uma viagem ao centro de
si mesmo e ao cerne do cristianismo para reforçar a qualidade do testemunho até à santidade,
inventar caminhos de missão até à radicalidade do martírio.
Queridos irmãos e amigos portugueses, agradeço-vos uma vez mais as calorosas boasvindas.
Deus abençoe a quantos aqui se encontram e todos os habitantes desta nobre e dilecta
Nação, que confio a Nossa Senhora de Fátima, imagem sublime do amor de Deus que a todos
abraça como filhos.
Visita do Santo Padre Bento XVI ao nosso país

BIOGRAFIA
O Cardeal Joseph Ratzinger, Papa Bento XVI, nasceu em Marktl am Inn, diocese de Passau (Alemanha), no dia 16 de Abril de 1927 (Sábado Santo), e foi baptizado no mesmo dia. O seu pai, comissário da polícia, provinha duma antiga família de agricultores da Baixa Baviera, de modestas condições económicas. A sua mãe era filha de artesãos de Rimsting, no lago de Chiem, e antes de casar trabalhara como cozinheira em vários hotéis.
Passou a sua infância e adolescência em Traunstein, uma pequena localidade perto da fronteira com a Áustria, a trinta quilómetros de Salisburgo. Foi neste ambiente, por ele próprio definido «mozarteano», que recebeu a sua formação cristã, humana e cultural.
O período da sua juventude não foi fácil. A fé e a educação da sua família prepararam-no para enfrentar a dura experiência daqueles tempos, em que o regime nazista mantinha um clima de grande hostilidade contra a Igreja Católica. O jovem Joseph viu os nazistas açoitarem o pároco antes da celebração da Santa Missa.
Precisamente nesta complexa situação, descobriu a beleza e a verdade da fé em Cristo; fundamental para ele foi a conduta da sua família, que sempre deu um claro testemunho de bondade e esperança, radicada numa conscienciosa pertença à Igreja.
Nos últimos meses da II Guerra Mundial, foi arrolado nos serviços auxiliares anti-aéreos.
Recebeu a Ordenação Sacerdotal em 29 de Junho de 1951.
Um ano depois, começou a sua actividade de professor na Escola Superior de Freising.
No ano de 1953, doutorou-se em teologia com a tese «Povo e Casa de Deus na doutrina da Igreja de Santo Agostinho». Passados quatro anos, sob a direcção do conhecido professor de teologia fundamental Gottlieb Söhngen, conseguiu a habilitação para a docência com uma dissertação sobre «A teologia da história em São Boaventura».
Depois de desempenhar o cargo de professor de teologia dogmática e fundamental na Escola Superior de Filosofia e Teologia de Freising, continuou a docência em Bonn, de 1959 a 1963; em Münster, de 1963 a 1966; e em Tubinga, de 1966 a 1969. A partir deste ano de 1969, passou a ser catedrático de dogmática e história do dogma na Universidade de Ratisbona, onde ocupou também o cargo de Vice-Reitor da Universidade.
De 1962 a 1965, prestou um notável contributo ao Concílio Vaticano II como «perito»; viera como consultor teológico do Cardeal Joseph Frings, Arcebispo de Colónia.
A sua intensa actividade científica levou-o a desempenhar importantes cargos ao serviço da Conferência Episcopal Alemã e na Comissão Teológica Internacional.
Em 25 de Março de 1977, o Papa Paulo VI nomeou-o Arcebispo de München e Freising. A 28 de Maio seguinte, recebeu a sagração episcopal. Foi o primeiro sacerdote diocesano, depois de oitenta anos, que assumiu o governo pastoral da grande arquidiocese bávara. Escolheu como lema episcopal: «Colaborador da verdade»; assim o explicou ele mesmo: «Parecia-me, por um lado, encontrar nele a ligação entre a tarefa anterior de professor e a minha nova missão; o que estava em jogo, e continua a estar – embora com modalidades diferentes –, é seguir a verdade, estar ao seu serviço. E, por outro, escolhi este lema porque, no mundo actual, omite-se quase totalmente o tema da verdade, parecendo algo demasiado grande para o homem; e, todavia, tudo se desmorona se falta a verdade».
Paulo VI criou-o Cardeal, do título presbiteral de “Santa Maria da Consolação no Tiburtino”, no Consistório de 27 de Junho desse mesmo ano.
Em 1978, participou no Conclave, celebrado de 25 a 26 de Agosto, que elegeu João Paulo I; este nomeou-o seu Enviado especial ao III Congresso Mariológico Internacional que teve lugar em Guayaquil (Equador) de 16 a 24 de Setembro. No mês de Outubro desse mesmo ano, participou também no Conclave que elegeu João Paulo II.
Foi Relator na V Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos realizada em 1980, que tinha como tema «Missão da família cristã no mundo contemporâneo», e Presidente Delegado da VI Assembleia Geral Ordinária, celebrada em 1983, sobre «A reconciliação e a penitência na missão da Igreja».
João Paulo II nomeou-o Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé e Presidente da Pontifícia Comissão Bíblica e da Comissão Teológica Internacional, em 25 de Novembro de 1981. No dia 15 de Fevereiro de 1982, renunciou ao governo pastoral da arquidiocese de München e Freising. O Papa elevou-o à Ordem dos Bispos, atribuindo-lhe a sede suburbicária de Velletri-Segni, em 5 de Abril de 1993.
Foi Presidente da Comissão encarregada da preparação do Catecismo da Igreja Católica, a qual, após seis anos de trabalho (1986-1992), apresentou ao Santo Padre o novo Catecismo.
A 6 de Novembro de 1998, o Santo Padre aprovou a eleição do Cardeal Ratzinger para Vice-Decano do Colégio Cardinalício, realizada pelos Cardeais da Ordem dos Bispos. E, no dia 30 de Novembro de 2002, aprovou a sua eleição para Decano; com este cargo, foi-lhe atribuída também a sede suburbicária de Óstia.
Em 1999, foi como Enviado especial do Papa às celebrações pelo XII centenário da criação da diocese de Paderborn, Alemanha, que tiveram lugar a 3 de Janeiro.
Desde 13 de Novembro de 2000, era Membro honorário da Academia Pontifícia das Ciências.
Na Cúria Romana, foi Membro do Conselho da Secretaria de Estado para as Relações com os Estados; das Congregações para as Igrejas Orientais, para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, para os Bispos, para a Evangelização dos Povos, para a Educação Católica, para o Clero, e para as Causas dos Santos; dos Conselhos Pontifícios para a Promoção da Unidade dos Cristãos, e para a Cultura; do Tribunal Supremo da Signatura Apostólica; e das Comissões Pontifícias para a América Latina, «Ecclesia Dei», para a Interpretação Autêntica do Código de Direito Canónico, e para a revisão do Código de Direito Canónico Oriental.
Entre as suas numerosas publicações, ocupam lugar de destaque o livro «Introdução ao Cristianismo», uma compilação de lições universitárias publicadas em 1968 sobre a profissão de fé apostólica, e o livro «Dogma e Revelação» (1973), uma antologia de ensaios, homilias e meditações, dedicadas à pastoral.
Grande ressonância teve a conferência que pronunciou perante a Academia Católica Bávara sobre o tema «Por que continuo ainda na Igreja?»; com a sua habitual clareza, afirmou então: «Só na Igreja é possível ser cristão, não ao lado da Igreja».
No decurso dos anos, continuou abundante a série das suas publicações, constituindo um ponto de referência para muitas pessoas, especialmente para os que queriam entrar em profundidade no estudo da teologia. Em 1985 publicou o livro-entrevista «Relatório sobre a Fé» e, em 1996, «O sal da terra». E, por ocasião do seu septuagésimo aniversário, publicou o livro «Na escola da verdade», onde aparecem ilustrados vários aspectos da sua personalidade e da sua obra por diversos autores.
Recebeu numerosos doutoramentos «honoris causa»: pelo College of St. Thomas em St. Paul (Minnesota, Estados Unidos), em 1984; pela Universidade Católica de Eichstätt, em 1987; pela Universidade Católica de Lima, em 1986; pela Universidade Católica de Lublin, em 1988; pela Universidade de Navarra (Pamplona, Espanha), em 1998; pela Livre Universidade Maria Santíssima Assunta (LUMSA, Roma), em 1999; pela Faculdade de Teologia da Universidade de Wroclaw (Polónia) no ano 2000.
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19 fevereiro 2010
Mensagem de Bento XVI para a QUARESMA 2010

A justiça de Deus está manifestada mediante a fé em Jesus Cristo (cfr Rom 3, 21–22)
Queridos irmãos e irmãs,
Todos os anos, por ocasião da Quaresma, a Igreja convida-nos a uma revisão sincera da nossa vida à luz dos ensinamentos evangélicos. Este ano desejaria propor-vos algumas reflexões sobre o tema vasto da justiça, partindo da afirmação Paulina: A justiça de Deus está manifestada mediante a fé em Jesus Cristo (cfr Rom 3,21–22).
Justiça: “dare cuique suum”
Detenho-me em primeiro lugar sobre o significado da palavra “justiça” que na linguagem comum implica “dar a cada um o que é seu – dare cuique suum”, segundo a conhecida expressão de Ulpiano, jurista romano do século III. Porém, na realidade, tal definição clássica não precisa em que é que consiste aquele “suo” que se deve assegurar a cada um. Aquilo de que o homem mais precisa não lhe pode ser garantido por lei. Para gozar de uma existência em plenitude, precisa de algo mais íntimo que lhe pode ser concedido somente gratuitamente: poderíamos dizer que o homem vive daquele amor que só Deus lhe pode comunicar, tendo-o criado à sua imagem e semelhança. São certamente úteis e necessários os bens materiais – no fim de contas o próprio Jesus se preocupou com a cura dos doentes, em matar a fome das multidões que o seguiam e certamente condena a indiferença que também hoje condena à morte centenas de milhões de seres humanos por falta de alimentos, de água e de medicamentos -, mas a justiça distributiva não restitui ao ser humano todo o “suo” que lhe é devido. Mais do que o pão ele de facto precisa de Deus. Nota Santo Agostinho: se “a justiça é a virtude que distribui a cada um o que é seu… não é justiça do homem aquela que subtrai o homem ao verdadeiro Deus” (De civitate Dei, XIX, 21).
De onde vem a injustiça?
O evangelista Marcos refere as seguintes palavras de Jesus, que se inserem no debate de então acerca do que é puro e impuro: “Nada há fora do homem que, entrando nele, o possa tornar impuro. Mas o que sai do homem, isso é que o torna impuro. Porque é do interior do coração dos homens, que saem os maus pensamentos” (Mc 7,14-15.20-21). Para além da questão imediata relativa ao alimento, podemos entrever nas reacções dos fariseus uma tentação permanente do homem: individuar a origem do mal numa causa exterior. Muitas das ideologias modernas, a bem ver, têm este pressuposto: visto que a injustiça vem “de fora”, para que reine a justiça é suficiente remover as causas externas que impedem a sua actuação: Esta maneira de pensar - admoesta Jesus – é ingénua e míope. A injustiça, fruto do mal, não tem raízes exclusivamente externas; tem origem no coração do homem, onde se encontram os germes de uma misteriosa conivência com o mal. Reconhece-o com amargura o Salmista: “Eis que eu nasci na culpa, e a minha mãe concebeu-se no pecado” (Sl 51,7). Sim, o homem torna-se frágil por um impulso profundo, que o mortifica na capacidade de entrar em comunhão com o outro. Aberto por natureza ao fluxo livre da partilha, adverte dentro de si uma força de gravidade estranha que o leva a dobrar-se sobre si mesmo, a afirmar-se acima e contra os outros: é o egoísmo, consequência do pecado original. Adão e Eva, seduzidos pela mentira de Satanás, colhendo o fruto misterioso contra a vontade divina, substituíram à lógica de confiar no Amor aquela da suspeita e da competição; à lógica do receber, da espera confiante do Outro, aquela ansiosa do agarrar, do fazer sozinho (cfr Gn 3,1-6) experimentando como resultado uma sensação de inquietação e de incerteza. Como pode o homem libertar-se deste impulso egoísta e abrir-se ao amor?
Justiça e Sedaqah
No coração da sabedoria de Israel encontramos um laço profundo entre fé em Deus que “levanta do pó o indigente (Sl 113,7) e justiça em relação ao próximo. A própria palavra com a qual em hebraico se indica a virtude da justiça, sedaqah, exprime-o bem. De facto sedaqah significa, de um lado a aceitação plena da vontade do Deus de Israel; do outro, equidade em relação ao próximo (cfr Ex 29,12-17), de maneira especial ao pobre, ao estrangeiro, ao órfão e à viúva (cfr Dt 10,18-19). Mas os dois significados estão ligados, porque o dar ao pobre, para o israelita nada mais é senão a retribuição que se deve a Deus, que teve piedade da miséria do seu povo. Não é por acaso que o dom das tábuas da Lei a Moisés, no monte Sinai, se verifica depois da passagem do Mar Vermelho. Isto é, a escuta da Lei, pressupõe a fé no Deus que foi o primeiro a ouvir o lamento do seu povo e desceu para o libertar do poder do Egipto (cfr Ex s,8). Deus está atento ao grito do pobre e em resposta pede para ser ouvido: pede justiça para o pobre (cfr Ecli 4,4-5.8-9), o estrangeiro (cfr Ex 22,20), o escravo (cfr Dt 15,12-18). Para entrar na justiça é portanto necessário sair daquela ilusão de auto-suficiência, daquele estado profundo de fecho, que é a própria origem da injustiça. Por outras palavras, é necessário um “êxodo” mais profundo do que aquele que Deus efectuou com Moisés, uma libertação do coração, que a palavra da Lei, sozinha, é impotente para a realizar. Existe portanto para o homem esperança de justiça?
Cristo, justiça de Deus
O anúncio cristão responde positivamente à sede de justiça do homem, como afirma o apóstolo Paulo na Carta aos Romanos: “ Mas agora, é sem a lei que está manifestada a justiça de Deus… mediante a fé em Jesus Cristo, para todos os crentes. De facto não há distinção, porque todos pecaram e estão privados da glória de Deus, sendo justificados gratuitamente pela Sua graça, por meio da redenção que se realiza em Jesus Cristo, que Deus apresentou como vítima de propiciação pelo Seu próprio sangue, mediante a fé” (3,21-25)
Qual é portanto a justiça de Cristo? É antes de mais a justiça que vem da graça, onde não é o homem que repara, que cura si mesmo e os outros. O facto de que a “expiação” se verifique no “sangue” de Jesus significa que não são os sacrifícios do homem a libertá-lo do peso das suas culpas, mas o gesto do amor de Deus que se abre até ao extremo, até fazer passar em si “ a maldição” que toca ao homem, para lhe transmitir em troca a “bênção” que toca a Deus (cfr Gal 3,13-14). Mas isto levanta imediatamente uma objecção: que justiça existe lá, onde o justo morre pelo culpado e o culpado recebe em troca a bênção que toca ao justo? Desta maneira, cada um não recebe o contrário do que é “seu”? Na realidade, aqui manifesta-se a justiça divina, profundamente diferente da justiça humana. Deus pagou por nós no seu Filho o preço do resgate, um preço verdadeiramente exorbitante. Perante a justiça da Cruz o homem pode revoltar-se, porque ele põe em evidência que o homem não é um ser autárquico, mas precisa de um Outro para ser plenamente si mesmo. Converter-se a Cristo, acreditar no Evangelho, no fundo significa precisamente isto: sair da ilusão da auto-suficiência para descobrir e aceitar a própria indigência – indigência dos outros e de Deus, exigência do seu perdão e da sua amizade.
Compreende-se então como a fé não é um facto natural, cómodo, óbvio: é necessário humildade para aceitar que se precisa que um Outro me liberte do “meu”, para me dar gratuitamente o “seu”. Isto acontece particularmente nos sacramentos da Penitência e da Eucaristia. Graças à acção de Cristo, nós podemos entrar na justiça “ maior”, que é a do amor (cfr Rom 13,8-10), a justiça de quem se sente em todo o caso sempre mais devedor do que credor, porque recebeu mais do que aquilo que poderia esperar.
Precisamente fortalecido por esta experiência, o cristão é levado a contribuir para a formação de sociedades justas, onde todos recebem o necessário para viver segundo a própria dignidade de homem e onde a justiça é vivificada pelo amor.
Queridos irmãos e irmãs, a Quaresma culmina no Tríduo Pascal, no qual também este ano celebraremos a justiça divina, que é plenitude de caridade, de dom, de salvação. Que este tempo penitencial seja para cada cristão tempo de autêntica conversão e de conhecimento intenso do mistério de Cristo, que veio para realizar a justiça. Com estes sentimentos, a todos concedo de coração, a Bênção Apostólica.
Vaticano, 30 de Outubro de 2009
18 fevereiro 2010
QUARESMA 2010, Mensagem do Bispo da Guarda

Para viver a justiça na caridade
Vamos viver a Quaresma do ano 2010 integrada no Ano Sacerdotal.
A mensagem do Santo Padre Bento XVI para esta Quaresma convida-nos a abrir o nosso coração à Justiça de Deus revelada e oferecida na Pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Na prática corrente das leis e dos tribunais, a justiça concentra-se no esforço por dar a cada um o que lhe pertence, mas quase sempre se fica no domínio do que é material. Não podemos, porém esquecer que a realização dos seres humanos não depende apenas dos bens materiais. Pelo contrário, cada homem e cada mulher, como diz o Santo Padre na sua mensagem, “para gozar de uma existência em plenitude precisa de algo mais íntimo que lhe pode ser concedido só gratuitamente”. E esse algo mais é o amor que só Deus lhe pode comunicar e do qual, portanto, cada ser humano sempre depende. De facto, todos fazemos a experiência diária de nos sentirmos dependentes dos outros e, se prestarmos a devida atenção, sentiremos que essa dependência não é só dos outros, mas principalmente de Deus. Simultaneamente, fazemos uma outra experiência de sinal contrário que é o desejo desmedido de independência, de ter uma afirmação pessoal que nos ponha acima dos outros e, muitas vezes, contra eles, numa atitude de egoísmo, consequência do que costumamos chamar pecado original.
Este conflito existe, de facto, em cada um de nós e só será superado na medida da nossa coragem para escolher entre duas lógicas, que se confrontam. Uma delas é a da suspeita e da competição, a lógica do ter cada vez mais e do fazer sozinho ou exclusivamente para si próprio. A outra é a lógica do dom, da espera confiante no outro que há-de vir ao nosso encontro com o presente do amor.
Nós queremos escolher a lógica do dom e a partir dela organizar a nossa vida pessoal e comunitária. Nela se cumpre a justiça divina revelada e comunicada na pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo. É só na base da lógica do dom que nós podemos compreender e valorizar, neste Ano sacerdotal, o Ministério dos nossos padres oferecido à Igreja e, por ela, ao próprio mundo.
Também desejamos que esta Quaresma sirva para todos nos convertermos mais à mesma lógica do dom, numa intensa procura do verdadeiro rosto de Cristo; uma procura que queremos fazer principalmente através dos caminhos da oração pessoal e comunitária, litúrgica e mesmo não litúrgica, de acordo com as propostas que nos faz o Catecismo da Igreja Católica. Convidamos, por isso, cada Pároco e seu corpo de agentes pastorais a aproveitarem o tempo forte desta Quaresma para, através das orientações dadas no Catecismo da Igreja Católica e concretizadas pelo texto elaborado para a formação de adultos na nossa Diocese, progredirem juntos na experiência do encontro vivo e vital com Cristo.
E falando ainda de Justiça, não podemos deixar de reconhecer as dificuldades que a justiça das leis e dos tribunais, entre nós, está a sentir para garantir a legalidade e defender os legítimos direitos de todos. Temos de reconhecer que a justiça dos tribunais só pode cumprir a sua importante função se, antes demais, houver a coragem de promover entre os cidadãos uma verdadeira cultura de justiça, que supõe conjugação de esforços para a autêntica educação cívica e de valores. De outro modo – e os factos estão a confirmá-lo – será difícil garantir eficácia à nossa justiça, sujeita como está a toda a espécie de pressões e cada vez mais embrulhada em jogos de interesses.
A verdadeira justiça, completada pela caridade, leva-nos, de acordo com o espírito da Quaresma, a percorrer os caminhos da solidariedade e de partilha fraterna, mesmo que isso signifique renúncia a bens materiais; supérfluos ou mesmo não supérfluos.
Este ano vamos orientar o resultado da nossa renúncia quaresmal para ajuda material solidária a um projecto chamado “Fazenda da Esperança” que está a ser desenvolvido na nossa Diocese, na Paróquia de Maçal do Chão, arciprestado de Celorico da Beira. É um serviço já muito experimentado no Brasil, onde mereceu uma Visita do actual Papa Bento XVI e que se destina ao acolhimento e recuperação de pessoas atingidas por várias espécies de falta de esperança, incluindo situações de marginalidade.
Está em causa ajudar os mais pobres dos pobres também neste ano europeu de luta contra a pobreza e exclusão social.
26 janeiro 2010
Peregrinação Arciprestal 2010
15 janeiro 2010
Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos 2010 (continuação)
Edimburgo 2010
O centenário da Conferência Missionária, que aconteceu na cidade no século anterior, será comemorado em junho de 2010 (www.edinburgh2010.org). Os organizadores querem que esse evento seja um tempo de ação de graças pelo progresso que Deus tornou possível na missão. Eles também dedicaram um lugar importante à oração, para oferecer a Cristo o testemunho que as Igrejas terão de sustentar juntas durante o século 21.
Esse encontro também permitirá que aqueles que trabalham há longo tempo no campo da missão e os representantes de correntes mais novas partilhem suas perspectivas. Membros de diferentes tradições eclesiais também poderão discutir sua prática de missão.
O mundo mudou bastante desde 1910 e mais uma vez a missão deve ser pensada de modo renovado. Diante da secularização e da descristianização, dos novos meios de comunicação, das relações interconfessionais, do diálogo interreligioso, há muitos temas a serem discutidos. Todos podem concordar quanto à necessidade de os discípulos de Cristo darem testemunho, mas ainda é difícil chegar a uma compreensão comum do que a missão precisa ser hoje. Dentro de cada Igreja individualmente não faltam reflexões e debates. Tudo isso não poderia trazer mais benefícios se envolvesse todas as Igrejas numa reflexão conjunta?
1910- 2010: Os cristãos trazem no coração um senso de urgência bem semelhante: para nossa humanidade ferida pela divisão, o evangelho não é um luxo supérfluo; o evangelho não pode ser proclamado por vozes discordantes.
Em Cristo, os que se encontram cheios de ódio podem encontrar o caminho da reconciliação. Em Cristo, aqueles que se dividem por qualquer coisa podem encontrar a alegria de viver como irmãos e irmãs... Vós sois as testemunhas disso.
A preparação do material para a Semana de Oração
pela Unidade dos Cristãos 2010
O trabalho inicial que levou à publicação deste livreto foi realizado por um grupo ecumênico escocês reunido pela Ação de Igrejas Reunidas na Escócia (Action of Churches Together in Scotland – ACTS), a convite da Conferência dos bispos católicos. Particularmente queremos agradecer a todos os que contribuíram com esse trabalho:
— Sr. Andrew Barr (Igreja Episcopal da Escócia)
— Major Alan Dixon (Exército da Salvação)
— Rev. Carol Ford (Igreja da Escócia)
— Rev. Willie Mcfadden (Igreja Católica Romana)
— Rev. Lindsay Sanderson (ACTS – Igreja Reformada Unida)
Os textos aqui propostos foram finalizados durante o encontro do grupo internacional preparatório, nomeado pela Comissão Fé e Ordem do Conselho Mundial de Igrejas e pelo Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos. O grupo se encontrou no Scotus College em Glasgow, que é o seminário nacional católico romano da Escócia. Somos particularmente gratos ao reitor do Seminário, o próprio Rev. William McFadden, aos seminaristas e a toda a equipe de trabalho pela calorosa recepção, pela disponibilidade e pelo clima de oração com que acompanharam nosso trabalho. Finalmente, temos uma especial palavra de agradecimento a Rev. Lindsay Sanderson ( Assistente Geral de Secretaria da ACTS) por ter revisado os textos junto com o Rev. McFadden, pelas ocasiões de oração comum e pelas partilhas organizadas com representantes de várias Igrejas cristãs da Escócia, bem como pela preparação geral do encontro.
14 janeiro 2010
Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos 2010 (cont.)
Durante o século passado a reconciliação entre os cristãos tomou formas bastante diferentes. A espiritualidade ecumênica mostrou como a oração é importante para a unidade dos cristãos. Grande impulso foi dado à pesquisa teológica, levando a um grande número de acordos doutrinários. A cooperação prática entre as Igrejas no campo social fez nascer frutuosas iniciativas. Junto com essas conquistas mais amplas, a questão da missão assumiu um lugar especial. Há até um consenso generalizado de que a Conferência Missionária Mundial de Edimburgo, em 1910, marcou o começo do movimento ecumênico moderno.
Missão e Unidade
Nem todos fazem naturalmente a ligação entre o empenho missionário e desejo da unidade cristã. Ainda assim, o compromisso missionário da Igreja deve caminhar passo a passo com seu compromisso ecumênico. Por causa do nosso Batismo já somos um único corpo e somos chamados a viver em comunhão. Deus nos fez irmãos e irmãs em Cristo. Não é esse o testemunho fundamental a que somos chamados?
Historicamente, o fato de que a questão da unidade cristã era frequentemente abordada por missionários se deve a razões práticas. Acontecia desse jeito simplesmente para evitar competição diante da necessidade de grandes recursos humanos e materiais. O território a ser evangelizado era partilhado e tentativas ocasionais eram feitas para realizar algo mais do que ter atividades desenvolvidas paralelamente e para favorecer projetos comuns. Missionários de Igrejas diferentes poderiam, por exemplo, combinar seus recursos para elaborar uma nova tradução da Bíblia e essa cooperação a serviço da Palavra de Deus levou a reflexões sobre as divisões entre os cristãos.
Sem negar as rivalidades existentes entre missionários enviados por Igrejas diferentes, deve também ser reconhecido que aqueles que estiveram primeiro no campo da missão foram também os primeiros a reconhecer a tragédia da divisão dos cristãos. A Europa havia se acostumado às divisões entre Igrejas mas o escândalo da desunião parecia terrível aos missionários que estavam anunciando o evangelho a pessoas que nada sabiam sobre Cristo até então. É claro que as diferentes divisões que marcaram a história do Cristianismo tiveram suas razões teológicas, mas também foram influenciadas pelo contexto (histórico, político, intelectual...) que lhes deu origem. Seria justificado exportar essas divisões para os povos que estavam descobrindo Cristo?
No meio do novo caminho que as recentes Igrejas locais estavam descobrindo, seria difícil deixar de notar a lacuna entre a mensagem de amor que queriam viver e a real separação entre os discípulos de Cristo.Como se pode fazer outros entenderem a reconciliação trazida por Cristo se os próprios batizados se ignoram ou lutam entre si? Como grupos cristãos que viviam em mútua hostilidade poderiam pregar um único Senhor, uma só fé e um só Batismo de modo convincente?
Não havia, portanto, falta de questões ecumênicas para os participantes da Conferência de Edimburgo em 1910.
A Conferência Missionária de Edimburgo, em 1910
Os delegados oficiais das sociedades missionárias protestantes de diferentes ramos do protestantismo e do anglicanismo, junto com um convidado ortodoxo, se encontraram durante o verão de 1910 na capital da Escócia. A Conferência, que não era um encontro de caráter decisório, não tinha outro objetivo senão ajudar os missionários a construir um espírito comum e coordenar seu trabalho.
Somente estavam presentes aquelas sociedades missionárias que trabalhavam para anunciar o evangelho em novos territórios onde Cristo ainda não era conhecido. Assim, as sociedades que trabalhavam na América Latina ou no Oriente Médio, onde já estavam a Igreja Católica Romana e as Igrejas Ortodoxas, não foram convidadas.
Em 1910 o panorama religioso escocês estava começando a se diversificar e as Igrejas Católica e Episcopal mais uma vez desempenharam um papel importante. Edimburgo foi escolhida como local desse encontro por causa de sua vitalidade intelectual e cultural. A reputação de seus teólogos e líderes eclesiais também influenciou a escolha. As Igrejas protestantes escocesas eram também especialmente ativas na missão e tinham fama de prestar atenção às culturas locais.
As igrejas cristãs na Escócia hoje
Reconhecendo esse importante marco na história do movimento ecumênico, era natural que os promotores da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos – a Comissão Fé e Ordem e o Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos – convidassem as Igrejas escocesas para preparar a Semana de Oração de 2010 , ao mesmo tempo em que elas estão envolvidas nos preparativos para celebrar o aniversário da Conferência de 1910 , que terá como tema “Testemunhar Cristo Hoje”. Em resposta, essas Igrejas sugeriram como lema “Vós sois as testemunhas disso” (Lucas 24,48)
09 janeiro 2010
Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos 2010
Os oito dias
Durante a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos de 2010, vamos refletir a cada dia sobre o capítulo 24 do evangelho de Lucas, olhando as perguntas que ele nos apresenta: perguntas de Jesus aos discípulos; perguntas que os discípulos fazem a Jesus.
Cada um desses questionamentos nos possibilitará destacar um modo particular de testemunhar o Ressuscitado. Cada um deles nos convida a pensar sobre nossa situação de divisão eclesial e sobre como, concretamente, podemos remediar isso. Já somos testemunhas e precisamos nos tornar testemunhas melhores. Como?
— louvando Aquele que nos dá o dom da vida e a ressurreição (dia 1)
— sabendo partilhar com outros a história de nossa fé (dia 2)
— reconhecendo que Deus age em nossas vidas (dia 3)
— dando graças pela fé que temos recebido (dia 4)
— confessando a vitória de Cristo sobre todo sofrimento (dia 5)
— buscando sempre ser mais fiéis à Palavra de Deus (dia 6)
— crescendo na fé, na esperança e na caridade (dia 7)
— oferecendo hospitalidade e sabendo recebê-la quando nos é oferecida (dia 8)
Não seria bem mais fiel o nosso testemunho do evangelho em cada um desses aspectos se testemunhássemos juntos?
08 janeiro 2010
Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos 2010

O tema bíblico:
“Vós sois as testemunhas disso”
No movimento ecumênico temos frequentemente meditado sobre o discurso final de Jesus antes da sua morte. Nesse testamento final a importância da unidade dos discípulos de Cristo é enfatizada: “Que todos sejam um... para que o mundo creia” (João 17,21)
Este ano as Igrejas da Escócia fizeram a escolha original de nos convidar a escutar o discurso final de Cristo antes da sua Ascensão: “É como foi escrito: o Cristo sofrerá e ressuscitará dos mortos no terceiro dia, e em seu nome se pregará a conversão e o perdão dos pecados a todas as nações, a começar por Jerusalém. E vós sois as testemunhas disso.” (Lucas 24,46-48). É sobre essas palavras finais de Cristo que refletiremos a cada dia.
Durante a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos de 2010, somos também convidados a percorrer todo o capítulo 24 do evangelho de Lucas. Tanto as mulheres assustadas diante do túmulo, como os dois desanimados discípulos no caminho de Emaús ou os onze discípulos dominados por dúvida e medo, todos os que juntos encontram o Cristo Ressuscitado são enviados em missão: “E vois sois as testemunhas disso”. Essa missão da Igreja é dada por Cristo e não pode ser posse particular de ninguém. É a comunidade dos que foram reconciliados com Deus e em Deus e podem testemunhar a verdade do poder da salvação em Jesus Cristo.
Percebemos que Maria Madalena, Pedro ou os dois discípulos de Emaús não vão testemunhar do mesmo jeito. Ainda assim, será a vitória de Jesus sobre a morte que todos colocarão no coração de seu testemunho.O encontro pessoal com o Ressuscitado mudou radicalmente suas vidas e, na originalidade de cada um, uma coisa se torna imperativa: “Vós sois as testemunhas disso.” Sua história vai acentuar aspectos diferentes, às vezes podem ocorrer entre eles discordâncias sobre o que a fidelidade a Cristo exige, mas ainda assim todos irão trabalhar para anunciar a Boa Nova.
06 janeiro 2010
Nova data para o Curso de Iniciação para Catequistas
Departamento da Educação Cristã da Infância e Adolescência
é comunicada uma alteração das datas
do Curso de Iniciação para Catequistas.
Assim, a nova data é:
dias 20, 21 e 27 de Fevereiro no Sabugal.
Esta alteração deve-se à ponderação por parte daqueles que irão acolher a realização desta iniciativa.
05 janeiro 2010
Esta foi a homilia do Bispo da Guarda no Dia Mundial da Paz

Hoje cumpre-se a 43ª edição do Dia Mundial da Paz.
Na sua mensagem para este dia, o Santo Padre Bento XVI convida-nos a reflectir sobre o respeito que devemos a toda a criação para que a paz seja possível. E este convite chega a todos nós, quando estamos ainda sob os efeitos da desilusão provocada pela cimeira de Copenhaga, onde os senhores do mundo não foram capazes de se entender sobre opções básicas a fazer para garantir a sustentabilidade da natureza e consequentemente o futuro da Humanidade. Os interesses imediatos sobretudo dos países mais desenvolvidos sobrepuseram-se ao Bem Comum da Humanidade. É neste contexto que ganham novo vigor as recomendações e os apelos do Papa na sua mensagem para este dia.
De facto, ninguém pode ficar indiferente perante os dramas humanos derivados das alterações climáticas, da desertificação, com perda de vastas áreas agrícolas, assim como da poluição dos rios e de importantes lençóis de água.
Por sua vez, este e outros dramas afins colocam-nos a seguinte pergunta de fundo: Afinal o que é verdadeiramente desenvolvimento? Será desenvolvimento promover, a qualquer preço, o consumo desenfreado dos recursos naturais? Poder-se-á desligar o bem físico da pessoa do seu bem espiritual e de relação seja com as outras pessoas seja com a própria natureza? A Mensagem do Papa XVI apela a uma revisão profunda do modelo de desenvolvimento que nos está a ser proposto; apela à própria economia para que repense os seus objectivos e seja capaz de corrigir as disfunções e deturpações que, em muitos casos, tem levado à vida das pessoas; apela à consciência de pessoas e grupos para que levem a sério a crise cultural e moral do ser humano na actualidade, cujos sintomas há muito se manifestam por toda a parte.
De facto, e este parece ser o pano de fundo de toda a mensagem, não pode desligar-se a ecologia da natureza da ecologia humana. Por outras palavras, o respeito pela natureza depende, em larga escala, dos valores morais assumidos ou não pelos seres humanos; por sua vez, quando a natureza não é respeitada a consequência são os sinais da sua relativa vingança, que todos conhecemos, com repercussão negativa na vida dos seres humanos. Entre os valores morais que mais determinam a prática equilibrada da relação com a natureza e do legítimo aproveitamento dos seus recursos, o Papa sublinha sobretudo dois: a sobriedade e a solidariedade. Com a sobriedade quer-se dizer que temos de modificar os nossos hábitos de consumo, temos de aceitar que precisamos de consumir menos do que estamos a consumir para não esgotarmos os recursos da natureza. Com o valor da solidariedade, queremos levar a sério o princípio de que Deus criou os recursos naturais para todos os seres humanos, aqueles que hoje vivemos e também para as gerações futuras. Temos, assim, a obrigação moral de praticar a solidariedade com todos os homens e mulheres da geração actual, a começar pelos mais pobres, mas também com as gerações futuras.
E o Papa não foge às dificuldades inerentes à aplicação concreta dos dois princípios morais enunciados. Selecciona, por isso, duas áreas especialmente sensíveis para a programação do futuro das nossas sociedades. Uma delas são as energias renováveis e a gestão da água; a outra é a importância para o desenvolvimento sustentado e equilibrado que continua a ter a agricultura e o mundo rural. Sobre este último ponto faz as seguintes recomendações, que se aplicam, a título especial, aos nossos ambientes, de facto, em processo acelerado de relativa desertificação. Diz ele: “Devem procurar-se apropriadas estratégias de desenvolvimento rural centradas nos pequenos cultivadores e nas suas famílias, sendo necessário também elaborar políticas idóneas para a gestão das florestas... Para isso são necessárias políticas nacionais ambiciosas... que trarão importantes benefícios sobretudo a médio e a longo prazo”.
Quando entre nós se continua a verificar o processo de desactivação das grandes empresas que colocam no desemprego centenas e centenas de pessoas, temos legitimidade para exigir, neste momento, as tais políticas nacionais ambiciosas a que se refere o Papa. Elas passam principalmente pela criação de condições que possam mobilizar as pessoas para iniciativas capazes de aproveitar, de facto, os recursos que temos nos nossos ambientes.
Esperamos que o Ano Europeu de luta contra a pobreza e a exclusão social, que hoje mesmo se inicia, seja realmente vivido por todos nós na procura de soluções inovadoras capazes de entusiasmar também os que são pobres na luta contra a pobreza.
+Manuel Felício, Bispo da Guarda
Esta foi a Mensagem de Natal do bispo da Guarda

D. Manuel da Rocha Felício, Bispo da Guarda
21 dezembro 2009
Afinal, sempre há lugar na estalagem
Era uma noite fria e com muito vento em Nairobi, no Quénia. Os aguaceiros de chuva tropical não paravam de cair desde a tarde. Num enorme bairro de lata perto do nosso hospital da Missão de Santa Maria, nasceu, em segredo, uma menina não desejada, que foi atirada para uma lixeira com um cheiro nauseabundo. Durante toda a noite, esta criança esteve exposta à chuva e ao frio. Na manhã seguinte, umas pessoas do mesmo bairro descobriram-na no meio do lixo e trouxeram-na para o hospital. Vinha roxa e com a pele enrugada devido à chuva. Estava tão fria que o termómetro não conseguiu registar a sua temperatura, e a respiração era bastante fraca.
As enfermeiras do hospital conseguiram trazer esta criança de volta à vida, utilizando garrafas de água quente para a aquecerem com suavidade, oxigénio, glicose e doses ilimitadas de amor. Tiraram-lhe da boca e dos ouvidos insectos que trouxera da lixeira. No dia seguinte, a menina começou a ser alimentada a biberão. Foi-lhe dado o nome de Hazina (que significa “Tesouro” na língua suahili) e, agora, esta robusta criança reside numa enfermaria recém-inaugurada no nosso hospital.
Agradecemos a Deus pela graça que ela representa para todos nós, enquanto Centro Católico de Prestação de Cuidados de Saúde aos Pobres.
Talvez esta criança nos tenha trazido uma mensagem de Natal sobre a qual devemos reflectir. Ao longo da nossa vida, cada um de nós deve corresponder ao amor que nos é oferecido pelos outros. Devemos também experimentar o amor vivificante de Cristo na nossa vida durante esta época especial e deixarmo-nos enriquecer interiormente por ele.
William Fryda
